Transporte Urbano de PassageirosTransporte Urbano de Passageiros

A Revista Jornauto, nas suas edições normais, sempre procurou cobrir todos os segmentos da indústria automotiva. Mas o segmento de transporte urbano de passageiros vem passando por uma fase de mudanças tão significativas sob o ponto de vista do usuário e, mais ainda, de todos os envolvidos neste mercado, que decidimos fazer uma edição dirigida a estes profissionais mostrando a realidade. Outro fato que nos motivou, foi a ausência de publicações que atendam à expectativa desse setor. E essa constatação não é nossa, mas de representantes de operadoras de ônibus e da indústria, montadora e encarroçadora. Por tudo isso, com a edição Especial Bus, a Revista Jornauto mergulhou na confusão em que se transformou o transporte coletivo em São Paulo para traçar um rápido perfil das mudanças drásticas pelas quais o segmento deverá passar, neste início de milênio. Conversamos com autoridades, empresários, fabricantes de veículos, carroçarias e equipamentos para conhecer suas expectativas, prognósticos, planos e objetivos, enfim as soluções que serão usadas na nova fase.

Descobrimos que as montadoras investiram em projetos de ônibus moderníssimos, que nada devem aos modelos mais sofisticados dos países desenvolvidos; os fabricantes de transmissão automática já comercializam o componente, hoje obrigatório em várias capitais brasileiras e na Argentina; empresas mundiais de bilhetagem eletrônica já fabricam ou importam bloqueios e validadores, usados com softwares que relatam o número de passageiros transportadores e retransmitem essas informações à empresa municipal fiscalizadora. Também apuramos os motivos da guerra desencadeada nas metrópoles do país envolvendo empresas de ônibus e perueiros. Os dois lados disputam dois bens preciosos nesse mercado: espaço para trafegar nas ruas e os clientes-passageiros. O primeiro continua exíguo e encolhendo a cada dia; o segundo, está cada vez mais exigente quanto à segurança e conforto, aliás, um direito constitucional de todo cidadão.

A efervescência gerada por essas transformações só tende a aumentar, na medida em que esbarra em velhos problemas. Enquanto as principais cidades apressam-se em modernizar suas legislações, esquecem-se de investir na infraestrutura viária, sem a qual nenhum sistema de transporte se viabiliza e nenhum ônibus, velho ou novo, consegue trafegar. Esse problema é discutido na entrevista do presidente da Fabus, José Antônio F. Martins. Veículos com tecnologia avançada custam mais caro, exigem mais investimentos do empresário. Afinal, numa democracia como a que estamos tentando construir, direitos e deveres têm de valer para todos. Inclusive para os governos municipais, que ultimamente não estão respeitando os direitos dos operadores em transportar a população.

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