Fora com o ministro Uma falha grave no exame para a concessão da carteira de motorista é não incluir uma prova de direção na rodovia. Besteira pouca é bobagem. Poucas vezes se viu algo tão inútil e ridículo como a Lei Seca. A legislação já existente era suficientemente rigorosa para evitar motoristas alcoolizados ao volante. O que faltava era fiscalização. Eram bafômetros. Mas, não satisfeitos, os senadores já aprovaram outra bobagem. Que, se receber sinal verde dos deputados, passa a vigorar no início do próximo ano. Desta vez para proibir que motoristas recém-aprovados no exame de habilitação (contemplados com uma licença provisória de um ano) dirijam em rodovias. Besteira por vários motivos. Primeiro, porque não há rigorosamente nenhuma indicação de que ocorrem mais acidentes com motoristas recém-habilitados em relação aos demais. Em segundo lugar, só se aprende a dirigir na estrada dirigindo na estrada. Limitar aos portadores da licença provisória os trechos urbanos não significa que, um ano mais tarde, estarão melhor preparados para as rodovias. Terceiro: corre-se mais risco nas cidades, com cruzamentos, semáforos, pedestres, filas duplas e tantas outras armadilhas. O único agravante no caso das estradas é a maior velocidade desenvolvida pelos veículos. Besteira porque o motorista recém-habilitado não pode cometer infrações graves ou gravíssimas durante os primeiros 12 meses sob pena de não receber a carteira definitiva e ainda ter que repetir o curso e o exame. Ou seja, a regra atual já o torna extremamente prudente e cauteloso para evitar de perder o direito à licença definitiva. Enquanto se pensa em proibir a rodovia ao motorista inexperiente, entram em vigor, em janeiro de 2009, novas exigências para o curso preparatório (auto-escolas) : aumenta o número de aulas teóricas e práticas. Mas ninguém se lembrou de exigir aulas práticas nas rodovias, essa sim, a fórmula óbvia de se preparar os futuros motoristas para dirigir nas estradas. Nem que uma parte do treinamento fosse efetuada com simuladores eletrônicos, equipamentos baratos, banais e já popularizados sob forma de joguinhos eletrônicos. Perguntas – Uma questão simples: por que os exames realizados hoje pelos Detran’s para conceder a habilitação não incluem um teste de direção (real ou simulado) na rodovia? E uma outra: se o motorista comete uma falha grave ou gravíssima durante os 12 primeiros meses, ele não tem direito à carteira definitiva. Mas, se por hipótese a infração é cometida no primeiro dos 12 meses, por que o órgão de trânsito não cancela imediatamente a licença em vez de deixá-lo ao volante por outros 11 meses? Se o objetivo dessas medidas é evitar ou, pelo menos reduzir o número de acidentes nas rodovias, fica lançada aqui uma outra idéia. O ministro dos Transportes assumiria seu cargo provisoriamente, por 12 meses. Se, nesse período, não tomar medidas efetivas para eliminar os buracos e demais problemas das nossas estradas (que provocam muito mais acidentes do que motoristas recém-habilitados), está demitido de suas funções... Publicada nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense |
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