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Ford Edge, charmoso, completo |
Sem bola de cristal, mas com pés nos números, em 2009 o mercado brasileiro para automóveis deverá ser repetir o ano encerrado. O país está entesourado, tem capacidades e, acima de tudo, mercado interno forte. Ante a crise o governo federal e o paulista – onde está o maior percentual de consumo - disponibilizaram recursos para facilitar os financiamentos indutores das vendas de automóveis. Bem aconselhados, os intelectuais formuladores de políticas públicas aceitaram o convencimento da necessidade de estender facilidades para venda de carros usados, base, moeda e alavanca para a venda dos novos. Por isto, pode-se prever comportamento igual ou, pouco acima do índice do PIB a ser cravado em 2009.
Vender, comprar
A crise, verdadeira, das historicamente três grandes, plotará o mercado e seu futuro. Era previsível. Os fabricantes norte-americanos viam a crise desfilar sob suas espelhadas janelas. A pirotecnia com promissórias, superior ao crescimento do mercado e a renda total sinalizava, algum dia a conta dos super financiamentos a quem tinha sub renda teria que ser paga. Foi o que ocorreu.
O desdobrar da crise dos imóveis chegou aos automóveis. A GM declarou-se apta à quebra, a Chrysler idem - a Ford tem maior fôlego. Ás portas de inglório encerrar, o governo Bush fez empréstimo-ponte às montadoras. Pequeno, para levá-las e seus problemas ao governo Obama, a começar dia 20. Daí em diante, o desgaste será do adversário.
Entretanto, a melhor sinalização da seriedade do negócio é a declaração de prejuízo da Toyota em âmbito mundial. Maior das montadoras, criadora da escola industrial por todos copiados, sempre lucrativa, perdeu muito nos EUA, parte mais rentável de sua operação. Estoicamente e por tradição, suspendeu o fazer veículos, porém não despediu os empregados. Iam às fábricas fazer ginástica, e para classses de origami, ikebana, pintura de ideogramas. Escolinhas de arte. Exemplo de dignidade. Mas lucro, nada.
Não se imagine a quebra das ex-três grandes. O governo norte-americano não permitirá. Não apenas pelo efeito multiplicador da cadeia econômica de produção, envolvendo milhões de agentes econômicos, sua atividade, emprego, renda e pagamento de impostos. Mais que isto, as empresas automobilísticas representam a principal referência do crescimento e do poder norte-americano de consumo. Sintetizam a crença do país nos investimentos em ações de empresas grandes. Se estas quebrarem, haverá descrença no mercado acionário em geral. E este será problema incomensuravelmente maior.
O socorro é mais barato e justificável.
Enfim,
No mercado brasileiro, na prática, talvez a grande diferenciação entre 2008 e 2009 venha a ser a maior presenca de produtos estrangeiros. Como o Brasil, apesar de todas as suas láureas industriais, não tem montadora e produtos nacionais, com todas as matrizes de montadoras aqui sediadas experimentando queda de produção e vendas em seus saturados mercados, solução natural, forjada na marreta da necessidade, é criar condições para pagar as contas. Assim, o Brasil é dos poucos mercados com capacidade de manutenção e expansão de vendas. Filial que tiver cabeça trará maior leque e variação de tipos, praticando custos contidos. Vender com lucro pequeno ou pelo custo, é bom negócio em tempos de crise. O Brasil é o porta-jóias das Coroas. A operação brasileira é a mais lucrativa, para todas as marcas, na relação investimento x participação nos ativos mundiais x lucro.
Lançamentos, leia atrativos, existirão. Primeiro porque a indústria de automóveis é como um trem carregado de elefantes. Para perder o embalo e diminuir a velocidade, leva tempo. Para deter, só solução drástica: sair dos trilhos e se perder, ou capotar. Aí, estarão fora do mercado. Por isto projetos em andamento são mantidos. Suspensos, delongados, apenas os que ainda estão no planejamento, ou os que se inviabilizaram em custos. Quer um exemplo ? O Bravo, da Fiat, previsto para ser lançado no final de 2009, foi estacionado no desvio. O disparar do dólar alterou a equação econômica, exigindo re-estudo.
Na prática de encher o mercado de importados, poderão haver novidades com a pouca variedade de carros venezuelanos, consequência da entrada deste país no Mercosul, possível neste exercício.
As ruas verão o bem equipado charme do Ford Edge, iniciando chegar do Canadá. Do México, em março, a empresa trará os novos Fusion, com motor elevado a 2.500 cm3, mais forte e transmissão automática de 5 velocidades. E a versão superior, V6, 3.200 cm3, 6 marchas.
Daqui, o Fiesta novo ao final do ano.
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Punto turbo, em março. O mais alegre do país |
A Toyota norte-americana estuda vender aqui Tundra e Tracoma, seus picapes grandes. Da marca, produtos locais, apenas anúncios. Um, para ocupar o lugar da camioneta Fielder, de inimaginada vida curta. Foi trêfega e fugaz, procedimento surpreendente para a marca. Outro, menor, em nova fábrica em Sorocaba, SP.
A Honda brindará neste ano o início de produção da versão 3 volumes do Fit, em Campana, Argentina, exportando-o ao Brasil. Possivelmente a produção do Fit migre de Sumaré, interior paulista, para lá.
Outra japonesa, a Mitsubishi deu o primeiro passo: trouxe o Airtreck com motor de 4 cilindros e tração simples. Abandonou a exclusividade e a identificação da marca como 4x4. E irá montá-lo no país. Prometida, a Suzuki deve alongar os prazos de industrialização em Goiás.
Dentre as coreanas, deverá haver definição sobre a operação da Hyundai. A empresa é sucessora de dívida por trambique e, para operar deve pagar a conta – mas, confortavelmente, não assume o débito. Sua licenciada CAOA, que não é fábrica de veículos, mas apenas geradora de incentivos para reduzir impostos para os importados da marca diz, adotará o mesmo processo com o Tucson – há dois anos promete isto. A Procuradoria da Fazenda ou o Ministério Público deveriam esclarecer ambos os casos.
A Kia deverá iniciar atividade industrial, com montagem de veículos no Uruguai.
Dentre as maiores no mercado, na Volkswagen as novidades importadas superarão as de produtos nacionais: Passat coupé, conversível EOS, utilitário esportivo Tiguan, novo cara no Jetta. Locais, o picapão feito na Argentina – talvez se chame Robust; o sucessor do picape Saveiro – vertente na montadora aposta no nome Arena, inexpressivo; e o substituto do Parati.
Na Fiat a opção de importados é limitada. Talvez reativar antiga idéia de trazer meia dúzia de Lancias como veículo de representação. Fazer uma meia sola emergencial com os Alfa não parece boa medida. Alfa é projeto de futuro e não merece ser queimado. A empresa quer manter-se líder, a mais rentável, e apostará nos produtos locais. Começa com a versão Tjet no Punto. É o motor 1.4 turbo, e dele fará o automóvel mais esperto do país. Será a referência. Outra, o líder picape Strada, ganhará cabine dupla.
GM é uma incógnita de mercado. Nos EUA e no restante do mundo. A possibilidade de fechar fez cair as vendas. A causa não está no comprador em dúvida, mas nos concessionários da marca, que pararam de comprar. Dos cortes e remendos aplicados na matriz saber-se-á o andar no Brasil, especialmente no projeto de reformular toda a linha dentro do Projeto Viva. A linha GM é a mais variada – e a mais superada no mercado.
Estas condicionantes miram os produtos externos como solução. Por isto, depois do mexicano Captiva, com tração em duas e quatro rodas, seguirá o caminho do Hyundai Tucson, Kia Sportage e Mitsubishi Airtreck: cara de utilitário, motor pequeno, tração simples. Jeito de poder, habilidades limitadas.Terá versão 2.4, quatro cilindros, para o Captiva. Preço em torno de R$ 80 mil. Sendo realidade, Kia e Hyundai enfrentarão séria concorrência, pois o Captiva oferecerá mais aparência e novidade.
Chrysler, Jeep e Dodge, uma incógnita no mercado. A matriz norte-americana está à venda, em busca de associação. Permanecendo, terá ênfase para o Dodge Trazo, a versão três volumes do Nissan Tiida, feita por esta marca e fornecido com emblema Dodge.
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Jipe Stark. O mais nacional. |
Das novas marcas em operação industrial a Citroën prepara sua visão sobre o Ford EcoSport. Uma espécie de C3 Eco, com surgimento após o C4 hatch, feito na Argentina, e a importação agradabilíssimo C5.
Peugeot terá versão picape feita sobre a bem acertada plataforma de sua pequena camioneta 207. Idem para a Nissan, aproveitando o protótipo levado pela Renault ao Salão do Automóvel. Veículo multi forma, deverá ser sucesso em proposta. Movimentada neste campo, terá duas novidades: os mini mono volumes Livina em versões para 5 e 7 passageiros. Serão feitos no Paraná.
Novidades novidadeira será a viabilização do jipe Stark, pela TAC, montadora catarinense. Projeto nacional. E, no vizinho Paraná, a FPT, empresa sob o guarda-chuva Fiat, com fábrica, motores e transmissões novos, portas abertas ao mercado, para fornece-los às marcas que quiserem. Uma alavanca para a criação e maior nacionalização de veículos.
Mercado de motos abalou-se com o pequeno tremor psicológico. Sobrava entusiasmo e faltava estrutura para algumas marcas. Como o mercado é bom e não deve ser abandonado, deverá haver união dos mais fracos, soma de sinergias e capitais.
Outros papos.
Ruas e estradas continuarão abandonadas ou, se consertados, com reparos sem técnica. O Brasil já teve a melhor engenharia rodoviária do mundo – sabe a estrada União-Indústria, a Rio,RJ-Juiz de Fora, MG ? Mais de um século de aberta, até hoje é exemplo de níveis e curvas. Desaprendemos. Fazemos caras e ruins. Cinicamente nossa competência mais desenvolvida é a confortável corrupção. Além do mais, estrada abandonada é argumento para a privatização que enriquece. Você paga impostos para construir a estrada. Depois paga pedágio para utilizá-la. Sejam quais forem os nomes, você paga duas vezes. É a proibida bi-tributação.
O panorama do aéreo de passageiros pode ter pequenas alterações, com a ampliação da Passaredo e a chegada da Azul com aviões novos, serviços mais apurados, preços baixos. Gol/Varig e TAM continuam mantendo o confortável duopólio de maus serviços.
Combustíveis continuarão sem regras. Como a margem de lucro sobre a gasolina é a maior do mundo, permite pequenas concessões nos aumentos, mas não corrige para as baixas. A Petrobrás perdeu a aura de empresa com administração proporcional ao seu porte. Na primeira crise mostrou-se perdida até em suas justificativas, do tipo empréstimo do governo para pagar impostos ao governo. Você, dono do botequim, dentista, médico, sabe ter que poupar para pagar impostos no final do mês. A Petrobrás não sabia.
A confusão das contas não baixará gasolina ou diesel. E como o teto do álcool é atrelado percentualmente à gasolina, a má estrutura não permitirá a redução real que todos os países experimentam.
Faróis de xenônio em carros para os quais não foram dimensionados, serão proibidos de circular a partir de 1º. de janeiro. Medida correta. As lâmpadas, colocadas em células opticamente não preparadas, causam perigoso ofuscamento a quem trafega em sentido contrário. O problema está no poder de definir quem está correto e quem está errado, é da polícia. Aí, companheiro, mora o perigo para o seu bolso.
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