Peugeot
Partner 1.8 no uso prático
E
quem diria? Um mercado antes dominado por apenas dois modelos, aos quais
se somavam uma ou outra capota rígida, tornou-se, hoje, um segmento
atraente para a maioria dos fabricantes, principalmente os europeus.
Carlos Roberto Fernandez
Com uma ampla oferta de veículos dedicados ao transporte urbano de pequenas cargas, o profissional liberal, indústrias e comerciantes têm, ao seu dispor, tudo o que existe de melhor nos principais mercados mundiais. Encontrar no Brasil, o furgão de pequeno, médio ou grande porte que melhor se adapte à necessidade específica ou à versatilidade necessária é apenas uma questão de tempo, paciência e olho clínico.
Conforto
e conveniências
Nesse jogo, o Partner tem no bom acabamento interno, no conforto para o motorista e no motor de 1.8 litros, os trunfos para apelar ao segmento superior da classe. Ao entrar no habitáculo, a primeira impressão vem da boa qualidade dos materiais usados no acabamento interno que, embora espartano como convém a um veículo de trabalho, transmitem uma impressão geral agradável e robusta. A execução não é de todo isenta de falhas, requerendo ainda um ponto ou outro de melhoramento. Os bancos são confortáveis, dando ao motorista uma postura bastante ereta e adequada para esse tipo de veículo. O volante está bem posicionado, assim como a maioria dos comandos e a alavanca de câmbio, cujos engates macios e agradáveis fazem, às vezes, esquecer a natureza essencialmente cargueira do Partner. Infelizmente, como sucede em quase todos os mais recentes projetos, a perna direita dos motoristas de estatura mais elevada interfere excessivamente com o console central. O porta-luvas é pequeno, mas o bom número de compartimentos de bom tamanho nas portas e no painel garantem espaço suficiente para todos os itens que seriam acomodados no uso normal. Há espaço suficiente para um compartimento de teto, que fica registrado como nossa sugestão ao fabricante. Como item interessante, nas costas do banco do acompanhante existe porta-copos e prancheta, que resultam num melhoramento sensível do conforto no posto de trabalho do motorista.
Boa
dirigibilidade
A visibilidade é boa em todos os sentidos para os padrões desse tipo de veículo, à exceção do ângulo cego à direita, maior do que a média. Como boa idéia, a Peugeot lembrou que muitas vezes o motorista de furgão trabalha sozinho, tendo dotado o Partner de comando elétrico para o espelho direito. O sistema de desembaçamento se mostrou altamente eficaz durante as avaliações. Também a regulagem de altura dos faróis, item importante nos veículos dessa categoria, está presente no Partner. O conforto do habitáculo é particularmente bom, graças ao baixo nível de ruído do motor. A suspensão é bastante eficaz em filtrar vibrações e golpes, mas deixa passar frequências mais elevadas, como o som dos pneus em asfalto áspero, fenômeno particularmente notável na traseira do carro. O desembaçador também fornece sua cota de ruído, a partir da segunda velocidade. A apenas 550 mm de distância do solo, a plataforma de carga do Partner se encontra em altura ideal para evitar esforço lombar excessivo na carga e descarga. O compartimento de carga tem bom espaço interno e conta com um importante protetor atrás do banco do motorista, item de segurança que também deveria ser considerado para o banco do acompanhante. As portas traseiras abrem em ângulo de 180º, mas a existência de uma porta lateral única, à direita, poderia ser repensada em zonas urbanas onde as ruas de mão-única tornam-se, cada dia mais e mais numerosas.
Características
operacionais
Característica única e já consagrada, as avaliações da Revista Jornauto são feitas com lastro. No Peugeot Partner, foram distribuídos 375 kg no assoalho do compartimento de carga, de modo a reproduzir uma lotação correspondente a quase 50% da carga máxima. Nessas condições, a força do propulsor de 1.8 litro se faz sentir sem hesitação, tornando o Partner um carro agradável de dirigir e ágil em qualquer condição de tráfego, seja urbano ou rodoviário. O volante macio e com a relação correta de caixa de direção, torna as manobras de estacionamento fáceis sem comprometer o comportamento dinâmico do furgão que, aliás, se mostra muito acima das expectativas. A estabilidade direcional e a sensibilidade do carro aos comandos do motorista resultam em manobras evasivas rápidas e seguras a um nível muito superior do que seria característico num carro de carga. Em curva, o limite de aderência ocorre em acelerações laterais bastante altas, com o Partner acusando um subesterçamento progressivo e dócil. Os freios se mostram dimensionados à altura da tarefa. Mesmo desprovidos de ABS no modelo avaliado, as frenagens ocorreram sempre em condições de perfeito controle e fácil modulação, de modo que, distâncias normais de parada puderam ser obtidas de forma segura e sem travamento das rodas.
Matéria publicada na edição 119 - Agosto de 2002