Marea
HLX 2.4 20V na prática
Mais
potente, o Marea adiciona ao estilo já consagrado um desempenho à
altura dos mais exigentes passionati por carros. A partir dos
menores detalhes, o Marea mostra-se sempre um candidato a fazer os corações
baterem mais rápido... e cada vez mais forte.
Carlos Roberto Fernandez
Com
a motorização de 2,4 litros, quaisquer resquícios de
preguiça, já pouca nos irmãos menores, foram definitivamente
removidos do Marea.
O apelo do carro ao prazer de dirigir já começa ao ocupar
o banco do motorista, em formato de concha, que envolve confortavelmente
o corpo e o mantém absolutamente firme em qualquer manobra. Continua
com a ergonomia praticamente perfeita e o excelente posicionamento dos comandos,
pedais e da alavanca de marchas e prossegue no volante de excelente empunhadura,
macio e preciso em qualquer velocidade, e nos engates precisos e agradáveis
do câmbio.
A
ergonomia do posto do motorista é muito bem resolvida, tanto que
somente a regulagem elétrica de altura do banco e manual do encosto
já são suficientes para encontrar a posição
ideal de dirigir. A regulagem de altura do volante é praticamente
desnecessária, se bem que seja uma das melhores disponíveis
no País, em termos de praticidade. O ajuste lombar elétrico
é ineficaz, contribuindo apenas para piorar o excelente conforto,
quando deveria ser o contrário. Mas se os ocupantes dianteiros recebem
tratamento VIP do Marea, os passageiros, na traseira padecem da síndrome
da classe econômica: embora o banco seja muito confortável,
o espaço, principalmente para as pernas e cabeça, é
absolutamente insuficiente, mesmo para pessoas de estatura média.
Apenas dois adultos podem ser acomodados atrás, e mesmo assim, com
conforto apenas razoável.
A
posição baixa de dirigir, o painel alto e as janelas pequenas,
se aumentam a agradável sensação esportiva dos ocupantes,
tiram do habitáculo, já um pouco pequeno em relação
à dimensão externa do carro, ainda mais alguma sensação
de espaço. Não chega a ser claustrofóbico, mas passa
uma impressão de insuficiência destoante da categoria de público
à qual o Marea se destina. Mas isso não atrapalha a visão,
excelente à frente e mesmo para trás, apesar da traseira alta.
Os espelhos acabam tendo algum ângulo cego, devido ao seu tamanho
reduzido. O acabamento interior, tem manufatura quase impecável,
em materiais escuros e tons sóbrios, com bancos e volante revestidos
em couro. Prestam bom testemunho à elegância que reveste a
fera que se liberta quando o Marea se põe em movimento.
O pacote de conforto e conveniência conta com air-bags dianteiros e laterais, cintos com pré-tensionadores, ABS, antiofuscamento eletrônico do espelho central, rádio/CD player de primeira qualidade, ar condicionado com controle digital automático e saída de ar para o banco traseiro, além de comando um-toque para todos os vidros e luzes de leitura eficientes para quatro ocupantes. No entanto, seria ideal que a Fiat tivesse dotado um carro tão completo em todos os outros sentidos de um computador de bordo, mesmo que somente para as funções básicas. Outra presença, mas esta desnecessária, é dos obsoletos pinos de trava nas portas. O comando dos espelhos está entre os bancos, sob o freio de estacionamento, na posição característica Fiat. Se, por um lado, parece estranha, por outro permite regular os espelhos em uma posição muito próxima daquela em que o motorista normalmente dirige o carro. O espaço para bagagem é generoso, no amplo porta-malas, que acomoda com facilidade tudo que uma família média possa querer levar. No habitáculo, o número e tamanho dos porta-objetos e bons bolsos em todas as portas permitem acomodar pertences pessoais com facilidade.
Em
movimento, a principal restrição ao Marea HLX 2.4 é
o alto nível de aspereza de funcionamento do motor. A partir dos
2500 rpm, o motor já se torna incômodo, ao que se soma o ruído
aerodinâmico, já presente a 120 km/h, e a ventoinha do ar condicionado
muito barulhenta, formando uma combinação bastante infeliz
para um carro desta categoria. Por outro lado, a estrutura é rígida,
inexistindo qualquer ruído proveniente dos painéis estampados,
em qualquer faixa de velocidade. Já os revestimentos internos apresentam
uma tendência a ressonar trafegando em ruas de paralelepípedos,
em que a suspensão, mesmo macia, mostra-se mais adequada às
altas velocidades, pagando seu preço com uma absorção
de vibrações inferior à desejável em um carro
dessa categoria. No trânsito urbano, o motor de 2.4 litros mostra
a quê vem, garantindo um desempenho ágil e seguro, auxiliado
pelo volante leve e sensível. Mas sempre resta uma sensação
de que um motor assim grande deveria apresentar um torque mais bem dosado
em baixas rotações que seu irmão menor. Ao contrário
da nossa expectativa, o Marea pede marchas com certa freqüência,
precisando de um estilo mais esportivo de direção para mostrar
os dentes... Quando mostra, tem um desempenho mais que satisfatório,
com arrancadas seguras e retomadas velozes. Ainda na cidade, os balanços
dianteiro e traseiro excessivos levam o Marea a bater em cada uma das poucas
lombadas e valetas com que somos brindados pelos nossos menos poucos impostos.
É
na estrada que as principais características dessa italianíssima
máquina se mostam na sua plenitude. O Marea atinge com absoluta segurança
e controle uma velocidade máxima acima dos 200 km/h, sem exigir qualquer
habilidade especial ou atenção redobrada do motorista. Em
curvas, um dócil caráter subesterçante garante perfeito
domínio e controle sobre o carro em qualquer situação,
satisfazendo mesmo aos motoristas mais exigentes em condições
de direção extremas. As manobras evasivas são praticamente
perfeitas, com o Marea reassumindo rapidamente a estabilidade longitudinal
e recuperando com absoluta segurança e facilidade a trajetória
retilínea.
Os freios são outro ponto alto. Bem dimensionados, garantem paradas seguras em espaços bastante reduzidos, mantendo o controle direcional do veículo sem qualquer dificuldade. Por fora, desenhado para impressionar quem o olha e acelerar o pulso de quem esteja dentro, o Marea HLX 2.4 transmite uma sólida e feliz combinação de imponência, confiança e satisfação ao dirigir.
Matéria publicada na edição 105 - Abril de 2001