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Evaristo Nascimento |
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Geraldo Vianna |
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Jackson Schneider |
No ano histórico do mercado de caminhões e ônibus brasileiro, a Fenatran – Feira Internacional do Transporte – a maior da América Latina, apresentou ao setor os novos produtos que desfilarão pelas estradas brasileiras em 2008. A munição que as empresas demonstraram ter na feira, só leva a um prognóstico: no ano que vem, a briga por cada centímetro do mercado deve ser como “nunca se viu antes neste país”. Bom para as montadoras, ótimo para os usuários.
A Fenatran foi realizada no Anhembi, de 15 a 19 de outubro. Segundo a organização, 46.718 pessoas (45.776 nacionais e 942 estrangeiros de 45 países) passaram pelos 353 estandes (304 nacionais e 49 estrangeiros de 16 países) - na última edição (2005) foram 272 expositores. Empresas de 16 países diferentes estenderam suas bandeiras pelos corredores do pavilhão.
“Essa feira é especial, pois reúne toda a cadeia do setor de transportes. Verificamos este ano um crescimento das empresas expositoras de autopeças, fabricantes de motores e pneus”, revelou Evaristo Nascimento, diretor da feira.
Segundo Geraldo Vianna, presidente da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), a Fenatran 2007 foi positiva.
“Essa vitrine de negócios funcionou como um bom termômetro para espelhar o movimento da economia aquecida, com a indústria batendo recordes e fila de espera por caminhões. Iniciamos um novo ciclo de desenvolvimento econômico, consistente e sustentável”.
Porém, Vianna cutucou o governo Lula. “Defendemos a adoção de uma política nacional de renovação da frota. Não só financiando a compra de caminhões novos, mas criando mecanismos de sucateamento. A frota brasileira tem uma idade média de quase 20 anos e há muito caminhão de 35 a 40 anos rodando”, completou.
“A Fenatran aconteceu num momento em que a produção e as vendas internas caminham num crescimento de cerca de 30%. As marcas têm se renovado com lançamentos mundiais e nossos veículos não devem nada aos importados”, disse Jackson Schneider, presidente da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
Vale a pena ressaltar o comentário de um alto executivo de montadora: “Toda essa tecnologia para andar no acostamento que, em muitos casos, é melhor do que a pista”.
O ano da quebra do recorde
A euforia das montadoras e demais empresas da cadeia se explica pela expressiva marca de mais de 100 mil unidades que serão comercializadas este ano. Alguns fabricantes de caminhões só poderão cumprir a demanda de pedidos, especialmente nos segmentos semipesados e pesados, em 2008.
O ano de 2007 será marcado pela quebra do recorde de 90 mil unidades vendidas em 1977. Até o final do ano, serão comercializados 29% a mais de caminhões, se comparado ao ano de 2006 - que atingiu o patamar de 76 mil produtos.
No acumulado de janeiro a setembro, foram vendidas 70.452 unidades - crescimento de 27,7% em comparação aos 55.189 do ano passado. No mesmo período, foram produzidos 100.198 caminhões contra 79.395, de 20 06, um incremento de 26,2%.
As marcas mostram garras afiadas
As montadoras e empresas que atuam no setor de veículos comerciais procuraram reforçar seus fronts para a batalha acirrada que se espera em 2008. Nos estandes, procuraram mostrar, principalmente aos frotistas visitantes, todos os argumentos que cada um tem de melhor para procurar transmitir confiança na marca.
Fiat, novas opções na linha Ducato
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Lélio Ramos |
A Fiat levou ao Anhembi 23 veículos, entre comerciais leves - como a Strada - e veículos semileves.
O maior destaque foi o lançamento do novo Ducato Minibus Longo Teto Alto, que possui entreeixos de 3.700 mm e traz, como novidade, nos itens opcionais porta-bagagem e cortinas laterais. O acabamento do veículo foi atualizado e o motor, de 127 cavalos, é o mesmo da versão anterior.
“Esperamos crescer 20% com o novo modelo”, acredita Lélio Ramos, diretor Comercial da Fiat.
Ainda na linha Ducato, a Fiat apresentou a versão Limousine - vocacionada ao transporte de passageiros VIP, de acabamento luxuoso e diversas tecnologias de interconectividade - e o inédito protótipo Cabinato com baú, para transporte de pequenas e médias cargas, que poderá entrar no mix da marca.
Ford anuncia investimentos
A Ford Caminhões não levou ao Anhembi grandes atrações físicas, mas a notícia de que fará vultoso investimento na linha de produtos comerciais, para poder competir de igual para igual com outros fabricantes nacionais.
Na verdade, a montadora tem uma linha de produtos desenvolvidos de acordo com as necessidades do transportador brasileiro, com mecânica confiável e um preço altamente competitivo. Sabe trabalhar bem os limites das necessidades desse mercado. Por exemplo, foi a última a lançar os motores eletrônicos e seus veículos, produzidos com motores convencionais, obviamente com preços melhores, venderam muito bem. Agora, anunciou investimentos de R$ 300 milhões que serão aplicados essencialmente em produtos, incluindo uma nova cabina.
Um estande com 19 veículos, a única novidade foi a “nova versão” F-4000 e F-4000 4x4 com a distância entreeixos alongada para 4.795 mm, que começarão a ser vendidos a partir do início de 2008.
A Ford trouxe, da Turquia, o utilitário Transit, modelo van e furgão, para transporte de passageiros ou de carga, tem PBT de 1 ou 2 toneladas com tração dianteira ou traseira. Segundo informam, apenas para sentir a receptividade do produto. (mais detalhes na página 14).
Renault, um Master diferente
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Luiz Eduardo Pacheco - Diretor de Vendas a Empresas, Christian Pouillaude - Vice-presidente Comercial e Cássio Pagliarini - Diretor de Marketing. |
Veículos transformados. Essa foi a aposta da Renault. O protagonista foi o Master “CrewCab”, furgão cabine-dupla montado na configuração L2H2 – chassi médio de teto alto – para o transporte de carga e equipes de trabalho de diversos segmentos. A expectativa da marca é comercializar 200 unidades em 2008.
A marca francesa apresentou sua linha de furgões vocacionados ao transporte de passageiros e novas propostas de adaptações em utilizações especializadas. Outros veículos estiveram expostos nos 552 metros quadrados reservados pela empresa. Entre eles, o Master L1H1 nas versões Minibus Executivo e Furgão Isotérmico; o Master L3H2 nas opções Ambulância UTI e Furgão Standard e dois modelos Kangoo. “A Renault é líder na Europa no segmento de utilitários leves transformados e traz toda a sua experiência para o mercado brasileiro.
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A empresa coloca à disposição dos clientes uma linha completa de furgões para o transporte de mercadorias e de passageiros, além de novas propostas de adaptações para utilizações especializadas. Somente neste setor, a Renault já oferece aos frotistas ou profissionais individuais cerca de 20 projetos de transformação totalmente testados, com garantia da própria montadora. Complementando essa ampla gama de veículos e de modelos transformados, a Renault, em parceira com a sua rede de concessionárias, disponibiliza o serviço “Renault Empresa”, uma estrutura de vendas e pós-vendas especializada nas necessidades especiais de cada um”, disse Cássio Pagliarini, gerente de Vendas e Marketing.
Agrale firme no segmento
dos médios
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Flávio Crosa |
A Agrale comemorou seus 42 anos com o lançamento do caminhão 13000 6x2, de terceiro eixo homologado pela fábrica, e entrou no segmento dos médios. O modelo tem as mesmas características que o 13000, lançado em agosto, mas um PBT de 20.700 kg. Seu motor é o MWM 6.10 TCA de 173 cv. A cabina é estendida de série. “Conseguimos atingir os objetivos e vamos parar por aqui. Não temos a intenção de entrar nos pesados”, afirma Flávio Crosa, diretor de Vendas e Marketing.
“Vamos crescer no mínimo 11% em relação a 2006 e faturar R$ 480 milhões. Mas, queremos crescer mais até dezembro e entre 5 a 6% em 2008, o que vai elevar a receita para R$ 510 mi”, prevê Crosa, que revelou o incremento de 80% nas vendas de caminhões no acumulado de janeiro a setembro deste ano. A marca gaúcha também apresentou os novos jipes da linha Maruá, AM 200 e AM 200 CD (cabine dupla).
Massa na Iveco
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Marco Mazzu |
O piloto da Ferrari, quarto colocado no mundial da F-1, se tornou o novo garoto-propaganda da Iveco. Massa teve um de seus carros exposto e visitou o estande da marca italiana. Mas, a Iveco frustou a expectativa de lançar uma versão Ferrari dos novos Stralis.
O público presente pôde conferir as novas cabines Stralis, a linha Daily 2008, um dos caminhões usados pela escuderia campeã da F-1 e outros veículos como EuroCargo, Cavallino e Trakker (vide detalhes na página 20).
O presidente Marco Mazzu anunciou um novo aporte em terras brasileiras de R$ 375 milhões. O montante será investido entre os anos de 2008 e 2010. Mazzu revelou os planos da marca de transferir gradativamente a produção de cabines pesadas da Argentina para o Brasil, a partir de janeiro de 2008.
“Enquanto o mercado cresceu 29% entre janeiro e setembro, a Iveco deu um salto de 95%. Fomos a montadora que mais cresceu em 2007”, disse Luigi Vicarioli, diretor Comercial para a América Latina.
Segundo o executivo, de janeiro a agosto de 2006, a Iveco registrou uma participação de 8,6% no mercado de pesados. No mesmo período deste ano, o índice subiu para 14,8%. “Essa margem fez o nosso faturamento aumentar em 130%”, completou.
VWCO só quer produzir mais
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Roberto Cortes |
A Volkswagen Caminhões e Ônibus, que comemorou 26 anos de atividades, trouxe para a feira a nova linha Constellation 370, lançada em agosto. Aliás, o presidente Roberto Cortes fez questão de anunciar que toda a produção está vendida. “Estamos preparados para conquistar novos clientes e daremos conta das encomendas.
Abriremos, em dezembro, um Centro Logístico junto à fábrica de Resende. As novas instalações representam um investimento de R$ 36 milhões e irão gerar 200 empregos diretos”, revelou Cortes.
No estande, a VWCO privilegiou a circulação dos visitantes. Estavam expostos veículos das linhas Delivery e Worker em diversas aplicações. Entre as atrações, a caixa de transmissão ZF que equipa a família 370 - em funcionamento real na troca de marchas - e um dos caminhões da equipe RM Competições, atual líder da F-Truck.
Volvo destaca seus 30 anos
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Tommy Svensson |
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Sérgio Gomes |
A Volvo do Brasil entrou na década do amadurecimento no último dia 24 de outubro, quando completou 30 anos de atividades em terras brasucas. A marca sueca inovou e surpreendeu a todos ao escolher como mestre de cerimônias da Fenatran, o conceituado jornalista do SBT, Carlos Nascimento.
Os dois grandes destaques da montadora foram o FM 10x4 - com capacidade para até 50 ton, motor de 13 litros, 480 cv de potência e indicado ao setor de mineração - e o FH comemorativo aos 80 anos de história da Volvo. O caminhão-conceito é o mais seguro da história da empresa.
“Esse FH possui air bags, freios ABS, EBS, ESP, monitoramento das faixas no piso das rodovias, que impede a saída do centro da pista e o ACC2, um piloto automático inteligente. Além deles, existe o Alco-lock, um bafômetro eletrônico que só dá a partida no caminhão se o motorista apresentar um teor alcoólico permitido por lei”, diz Sérgio Gomes, gerente de planejamento.
“Temos hoje a mais completa linha de opções de nossa história no País. Segurança é a nossa bandeira. Neste ano especial, vamos ultrapassar 10 mil modelos vendidos na América Latina”, disse Tommy Svensson, presidente da Volvo do Brasil.
Scania também na Rússia
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Christopher Podgorski |
A Scania foi a montadora que mais radicalizou nos lançamentos. Trocou sua família inteira, a Série 4, pelas linhas P, G e R Highline. As novas cabines impressionam pelos requintes de conforto e acabamento.
“Só este ano, crescemos 10% na produção e 30% nas vendas. Queremos retomar a liderança do mercado dos pesados”, não cansa de repetir Christopher Podgorski, Diretor Geral da marca sueca. O executivo ainda revelou que a cabine R já está à disposição do consumidor e que as outras duas chegam apenas em janeiro de 2008.
Porém, a notícia que mais chamou a atenção durante a feira foi a escolha da Rússia para receber a nova fábrica da Scania, em 2009, com capacidade para produzir 10 mil veículos/ano. “A estratégia é abastecer os mercados locais e a Rússia vem crescendo e vai ser assim por um bom tempo”, explicou Podgorski.
Além de apresentar as novas Séries P, G e R Highline, o estande da Scania, bastante chamativo pelo tom suave e bem distribuído, trouxe outro lançamento da marca, o fora-de-estrada G 470 10x4 para mineração. O modelo custa R$ 750 mil e possui cinco eixos, dois de tração e dois direcionais, e chamou bastante a atenção dos curiosos que passavam pela área reservada da marca.
Está sendo sendo oferecido às empresas do setor e já possui algumas unida-des a serviço da Vale do Rio Doce.
Mercedes-Benz cheio de novidades
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Philipp Schiemer |
A Mercedes-Benz, agora do Brasil, levou até o Salão Internacional do Transporte 17 veículos de suas linhas Sprinter, Accelo, Atego e Axor, sendo duas novidades.
Chegam ao mercado brasileiro mais dois veículos com a “estrela” na grade frontal, o pesado 2726 6x4 e o fora-de-estrada Actros 4144 8x4, basculante, indicado para mineração e construção civil e importado da Alemanha (vide detalhes na página 36).
“Crescemos 25% em comparação ao ano passado. Voltamos nosso objetivo na satisfação do cliente. Com esses dois lançamentos, completamos a nossa linha no Brasil”, afirmou Philipp Schiemer, vice-presidente de Vendas.
No estande, a MB reservou um espaço especial para a demonstração dos avanços nos testes com o B100, combustível 100% biodiesel, em bancos de prova funcionais e de durabilidade com motores eletrônicos.
Outras atrações foram a presença do Axor 2044 Fórmula Truck - que compete na atual temporada da competição, e o FleetBoard. O sistema de gestão de frota via internet, baseado em recursos da telemática, deve começar a ser vendido no final do primeiro semestre de 2008.
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