Jubileu de ouro da Ford Caminhões

A montadora completa cinco décadas produzindo veículos comerciais para quase todos os segmentos do mercado nacional, celebra as conquistas desse período com uma produção superior a 1 milhão de unidades, e destaca os próximos passos.

Por Mercedes Cumaru, do ABC Paulista, SP

F-600
F-600

Ford foi o primeiro fabricante de caminhões a se instalar no país. Entre o começo das operações, em 1919, até a produção do primeiro veículo nacional, em 1957, a montadora passou pelas turbulências da economia mundial, afetada pela a Segunda Guerra, e participou dos passos iniciais da indústria automotiva brasileira.
Em 1953, foi inaugurada a nova fábrica, localizada no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Quatro anos mais tarde, mais precisamente em 26 de agosto de 1957, o F-600, primeiro caminhão fabricado no Brasil, saiu da linha de montagem, com motor V8, a gasolina, 167 HP e 40% de nacionalização. Nesse mesmo período, foi produzida a picape F-100, houve a nacionalização do motor V8 e o lançamento do F-350, primeiro caminhão médio brasileiro.

Ultrapassando barreiras

F-7000
F-7000 - 8000

Passado o desafio inicial dos primeiros anos de produção no Brasil, a empresa destaca que os momentos mais difíceis foram aqueles quando o país enfrentou crises econômicas geradas tanto por fatores internos como externos. Estes momentos afetam os volumes de vendas e o nível de emprego, tanto na montadora como nos fornecedores. As decisões de redução dos volumes de produção ou mesmo de capacidade são as mais difíceis enfrentadas pelos executivos de uma montadora.
No início dos anos 1960, a Ford tinha um número expressivo de produção, com a unidade 100 mil fabricada no país, tendo 99% de nacionalização. E mais produtos iam chegando ao mercado, como o trator V8 Diesel e o caminhão Super Ford.
Uma nova expansão fabril não demorou para acontecer e, em 1975, entrou em funcionamento o Complexo Industrial de Taubaté (SP), lembrando que em 1958, uma fábrica de fundição havia sido construída na cidade de Osasco (SP).
A empresa prosseguia com desempenho expressivo no cenário automotivo brasileiro e novos modelos chegavam ao mercado. Picape F-1000 Diesel e os caminhões F-400, F-4000 Diesel, F-7000, FT-7000 Diesel, F-8500, F-8000e FT-8000 estavam entre as novidades da década de 1970, quando houve ainda a alteração da razão social para Ford Motor Company e mais tarde para Ford do Brasil.
Entre 1980 e 2000, outros veículos passaram a compor o portfólio da Ford Brasil, entre eles os caminhões médios F-2000, F-13000 e F-21000, a picape F-1000A, Ranger e Courier. Em 1998, foi apresentado o modelo F-12000, no mercado desde 1980, quando era chamado de F-700, recebeu uma nova e revolucionária cabina. Nessa mesma época foi lançado o F-16000.

Lançamentos de peso

Seria um erro passar por esse período sem mencionar um significativo lançamento que veio sacudir o setor de caminhões, quando a robustez da família Cargo chegou ao mercado, em 1985.
A unidade brasileira também ingressou no segmento de ônibus apresentando o microônibus FB-4000 e os chassis de ônibus urbano B1618 e o B1200 .

Chassi B-1618
F-12000
Chassi B-1618

“Com vocação tipicamente voltada para o transporte de curtas distâncias e operações em centros urbanos ou serviços fora de estrada, esses caminhões surgem como importante alternativa para grandes frotistas de entrega rápida”, afirmava a Ford, na ocasião do lançamento da nova série de veículos F (F-4000, F-12000 e F-14000HD).

Produção recorde

Em 1994, um caminhão F14000 HD, que foi comprado pela empresa Enterpa (um grande frotista do país), saiu da linha de montagem da fábrica em São Bernardo com uma grande responsabilidade. Afinal, aquele veículo significava 1 milhão de caminhões Ford produzidos no Brasil.

1.000.000 de caminhões vendidos - 1994 F-16000
1.000.000 de caminhões vendidos - 1994
F-16000

Comemorando essa marca recorde, a Ford implantou o Truck & Bus Improvement (Evolução Contínua em Caminhões e Ônibus). “O programa é uma autêntica filosofia voltada para a qualidade total com foco central no cliente e envolve todas as áreas da empresa num exercício constante de criatividade em busca de competitividade e participação da Ford no mercado de caminhões e ônibus”, afirmava Udo Kruse, presidente da Divisão Ford da Autolatina, uma holding que coordenou as ações da Ford e da Volkswagen no Brasil e na Argentina que não resistiu à crise dos 7 anos de casamento: de 1987 (papel passado, mas anunciado em 1986) a 1994 (papel do divórcio concluído em 1995). Com os trâmites durou 8 anos.

Reavaliações constantes

Oswaldo Jardim

Chegamos ao ano de 2007, onde o cenário é bem diferente daquele que a montadora encontrou nos primeiros momentos no Brasil. As mudanças, evidentemente, são internas e externas. Há um novo tipo de demanda, uma outra forma de pressão mercadológica com fortes exigências ambientais. Tudo isso se juntando às preocupações incessantes de atender bem ao consumidor e manter a competitividade.
Além disso, as organizações ainda precisavam sobreviver às oscilações da conjuntura econômica. A Ford explica que “o desempenho da indústria automobilística, como um todo, possui relação direta com a economia. Sentimos, tanto positivamente quanto negativamente o ‘sobe-desce’ de muitos setores da economia. Na indústria de Caminhões, essa ligação é ainda mais forte e direta. Costumeiramente, é o setor que reflete mais imediatamente os movimentos macroeconômicos, tanto para o crescimento como para a queda”.
Para exemplificar, Oswaldo Jardim, novo diretor de Operações de Caminhões da Ford Brasil, que sucedeu a Flávio Padovan, executivo que marcou época nessa divisão da empresa, cita o que ocorreu no mercado de caminhões nos últimos três anos. “O ano de 2004 foi excelente para a indústria. Já na segunda metade de 2005 e em 2006, em virtude do desempenho do agronegócio no Brasil, tivemos um período momentâneo de dificuldades que exigiu muita criatividade por parte de todos que gerenciavam o negócio. Os estoques aumentaram rapidamente. Agora, no final de 2006 e em 2007, o cenário se reverteu e a indústria voltou a crescer a um ritmo recorde. Estes movimentos rápidos de oscilação no mercado exigem um trabalho de integração grande entre a fábrica e seus fornecedores, uma dedicação absoluta do pessoal de Vendas e Marketing, identificando os movimentos de mercado e as ações necessárias para administrar cada momento, e uma rede de Distribuidores forte e consolidada, que está ao seu lado nos momentos bons e também nos difíceis”.
Mesmo vivenciando períodos mais críticos, a unidade brasileira está sintonizada com o avanço tecnológico da corporação no mundo e, segundo o executivo, inclusive se destacando em algumas áreas. “Hoje, a Ford possui fábricas de caminhões no Brasil, na Turquia e nos Estados Unidos e, em regime de CKD, também na Venezuela, para o abastecimento do mercado Andino. O Brasil possui grandes diferenciais em relação aos outros competidores mundiais. O primeiro é em relação à própria engenharia nacional, que tem se mostrado altamente capaz e hábil, no desenvolvimento de produtos de sucesso, tanto para o mercado nacional quanto para o externo. Nosso outro grande destaque é o conhecimento acerca dos veículos bicombustíveis, etanol e biodiesel. Temos de continuar apostando em nossos pontos fortes, investindo pesadamente em pesquisa e aproveitando esse momento positivo para estabelecer parcerias com outros países. Só assim seremos jogadores competitivos no mercado global”, assegura.

Linha de comerciais Ford - 1994 F-250 e Modelo A Roadster
Linha de comerciais Ford - 1994
F-250 e Modelo A Roadster

A montadora ainda enfatiza os adjetivos de sua planta fábril em Sâo Bernardo do Campo (SP), inaugurada em 2000, como sendo exemplo de manufatura limpa e altamente eficiente.

Expansão do mercado

Segundo informações da montadora, a sua participação no competitivo segmento nacional de caminhões é de 20.5%. “Temos produtos que atendem desde o segmento de semileves até pesados, de 45 toneladas. É uma participação importante e estável, num mercado em muitos competidores já entraram e saíram, por não conseguirem uma equação de negócios viável. A Ford vende veículos no Brasil há mais de 85 anos e produz a linha de veículos comerciais, localmente, há 50 anos. Já são mais de 1 milhão de caminhões, ônibus e picapes vendidos. Esta história nos habilita a almejar uma participação de mercado mais representativa no futuro próximo. E para isso estamos trabalhando forte na constante melhoria dos nossos produtos e no estabelecimento de uma rede de distribuição que atende plenamente as necessidades de vendas e serviço do mercado”.

Cargo 4532e - Cargo 712
Mod Center
Cargo 4532e - Cargo 712

Essa maior representatividade pode ser sentida com os novos modelos da linha Cargo, atendendo ao segmento leve, com o Cargo 712 Urbano (PBT 7t), para o transporte urbano de mercadorias, e ao pesado, com o Cargo 4532e MaxTon (PBT 45t) para o transporte rodoviário de carga.
Os tempos mudam e as necessidades dos consumidores também. Hoje, para atender os clientes e aperfeiçoar e desenvolver produtos, a Ford conta com um vasto programa de pesquisas. “Para o desenvolvimento de produtos e a identificação das necessidades atuais e futuras dos clientes, a Ford trabalha com um intenso programa de pesquisas quantitativas, qualitativas e também com as indicações de grupos montados visando o desenvolvimento de produtos específicos para algum determinado segmento de mercado. Sem dúvida, nossos frotistas têm um papel importante no desenvolvimento destas pesquisas. Além de produto, avaliamos também a satisfação dos nossos clientes com a nossa rede de Distribuidores, tanto no processo de vendas como no de pós-vendas. O resultado destas avaliações, além de possibilitar uma melhoria contínua da rede, traz benefícios diretos àqueles Distribuidores que mais se destacam entre os nossos atuais 89 Distribuidores totalmente dedicados a Caminhões”, destaca Jardim.

Próximos passos

Foi com um vasto leque de veículos que a Ford ganhou registro na história automotiva brasileira, principalmente, nas últimas cinco décadas. Segundo a montadora, para os próximos 50 anos e intenção é “continuar oferecendo produtos de alta qualidade, duráveis, que atendam às expectativas dos clientes e com excelente relação custo benefício. Isto tudo suportado por uma rede de distribuidores que deve oferecer os melhores padrões de vendas e serviço, garantindo assistência total em qualquer ponto do país.

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Continuaremos crescendo nossas vendas, buscando um aumento gradativo na nossa participação de mercado por meio de produtos de nicho, transformados pelo nosso Centro de Modificações”, afirma Jardim.
Foi com conceito “Melhor Negócio em Transportes” que, recentemente, a montadora passou a oferecer mais um diferencial para os seus clientes. A partir de uma parceria com a Randon, instalou o Mod Center na unidade de São Bernardo do Campo (SP), o que permitirá que os caminhões saiam de fábrica já com implementos. A empresa constatou que 63% dos compradores de caminhões novos fazem algum tipo de modificação no veículo.
Em uma área de mais de 6 mil m2, o Mod Center terá condições de efetuar aproximadamente entre 30 e 40 modificações por dia, realizadas por funcionários da própria Randon. Entre as principais modificações oferecidas estão: versões 6x2 e 6x4, pára-choques, acabamento interno, bancos especiais, relação de eixo traseiro, distância de entre-eixos, tipos de pneus, protetor do radiador, tanques de combustíveis, tomadas de força, climatizador e escapamento. Todos os implementos instalados têm a mesma garantia do veículo e incluídos no financiamento.

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