Barato que não sai caro

Após o impacto da apresentação do Logan, cabe analisar as suas perspectivas de vendas, que se iniciam em julho. Este é um lançamento importante por subverter os conceitos de tamanho e preço, não só no mercado nacional, como em mais de 50 países.

Por Fernando Calmon, do Rio de Janeiro, RJ

Se a Renault cometeu deslizes na estratégia de marketing do sedã Mégane II, redimiu-se totalmente agora. As premissas começaram de forma correta ao atender com precisão os gostos e tendências do comprador brasileiro típico.
As intervenções tiveram o escopo de melhorar pontualmente estilo e aparência do veículo, que não eram os objetivos centrais do projeto de baixo preço do Dacia romeno. Externamente, nova grade dianteira, chanfro na tampa do porta-malas, pára-choque dianteiro modificado (como o traseiro pintado na cor da carroceria) e novas lentes de faróis já levantaram o astral. Rodas bonitas opcionais de liga leve (ou calotas bem desenhadas) de 14 ou 15 pol de diâmetro e o cuidado de colocar duas lâmpadas de ré (só uma no modelo original) afastam a imagem de despojamento exagerado.

O que faz a diferença

O interior segue no mesmo tom. O painel tem superfície granulada, os revestimentos de portas são bons e o volante, igual ao do Mégane II. A atmosfera é arejada. As portas têm bons ângulos de abertura e os bancos mais altos facilitam entrada e saída. O motorista sente-se confortável ao volante, com o corpo bem apoiado e sem sentir o incômodo de joelhos do passageiro de trás roçando no encosto. O quadro de instrumentos e comandos são simples, mas funcionais.
Uma estratégia correta foi permutar o preço final menor por uma inédita garantia integral de três anos, limitada a 100.000 quilômetros. A Renault corre algum risco por parte de quem não age de boa fé. No passado recente, houve ações na justiça questionando intervalo de tempo de garantia versus quilometragem. O preço pré-estabelecido das revisões também ajuda a transmitir confiança aos novos clientes que pretende atrair. Segundo a fábrica, basta separar R$ 1,00 por dia para cobrir o custo das três primeiras revisões anuais, fora itens de desgaste natural e fluidos.

Mais pontos positivos

Como o Logan pesa 1.025 kg na versão de entrada, é um carro alto e largo para os padrões do segmento e possui um porta-malas de 510 litros, o motor de 1.000 cm³/77cv poderia parecer insuficiente. Ao contrário, desloca-se bem no trânsito urbano. Na estrada, porém, considerando-se que haverá uma tendência de se aproveitar o bom espaço para cinco passageiros e bagagem, exigirá atenção apurada nas ultrapassagens. Já o motor de 1.600 cm³/112 cv, exclusivo da versão de topo Privilège, vai muito melhor. A Renault ainda precisa aproveitar bem as características do álcool, pois utiliza uma taxa de compressão conservadora. A fábrica também enveredou por um mau caminho ao esconder, agora, as informações sobre consumo de combustível, inaceitável em grandes mercados.
Certamente o Logan - começa em R$ 28 mil e vai a R$ 46 mil - pode se transformar em dor de cabeça séria para os concorrentes, embora o Clio sedã deva ser o primeiro atingido. Sem contar que a família aumentará com uma versão hatch, no começo de 2008, e uma terceira opção não revelada, mas que pode se materializar em um utilitário esporte.

Galeria de imagens

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Fichas técnicas

Clique abaixo e faça o download (arquivos .doc) das fichas técnicas do Renault Logan:

Ficha Técnica: Logan 1.0 16V Hi-Flex
Ficha Técnica: Logan 1.6 16V Hi-Flex

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