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Com uma produção na casa dos 90 mil eixos por ano, destinados a caminhões e ônibus, a Divisão de Sistemas para Veículos Comerciais da ArvinMeritor do Brasil enxerga boas perspectivas para o futuro. Depois de passar por momentos difíceis no final da década de 1990, a empresa vem caminhando em um cenário animador.
A operação brasileira tornou-se benchmarking para as outras plantas da companhia em todo o mundo, com processos inovadores de gerenciamento de produção, assistência ao cliente, sistemas de qualidade e desenvolvimento de pessoal. A empresa vem aparecendo na relação das 100 melhores empresas para trabalhar, da revista Exame, desde 2000, e entre as 100 melhores da América Latina, desde 2005.
Grife ArvinMeritor
Driblando a conjuntura econômica interna e as adversidades externas, a unidade brasileira, com fábrica e escritórios em Osasco (SP), é considerada uma das cinco melhores da companhia, em nível global, no que se refere ao desenvolvimento tecnológico e de pessoal. Seguindo a filosofia da matriz norte-americana de ser líder em tudo o que produz, ou pelo menos estar na segunda colocação, a empresa vem mantendo ao longo de décadas a posição de liderança no segmento de eixos para veículos comerciais.
“Atendemos os principais fabricantes de caminhões e ônibus da América do Sul, com destaque para Brasil, Venezuela, Chile, Colômbia e Argentina”, destaca Silvio Barros, diretor de Vendas e Marketing.
Apesar da liderança, Barros entende que a situação não é confortável: “o segmento de caminhões e ônibus trabalha com margens muito apertadas, o que vale para as montadoras e também para os sistemistas como a ArvinMeritor.”
Para conviver com essa situação, a empresa investe de forma permanente no gerenciamento de custos, no lean manufacturing e na parceria com a cadeia de suprimentos. Esse é um dos caminhos para manter a competitividade no mercado interno e conseguir exportar, mesmo com a desvantagem cambial.
Em 2008, dentro de um programa que reúne as 24 fábricas do grupo em nível mundial, a ArvinMeritor deve consolidar seu sistema próprio de produção, batizado de APS - ArvinMeritor Production System. O investimento expressivo tem como finalidade maior criar um modo de produção capaz de diferenciar a empresa no mercado particularmente nos quesitos qualidade e inovação tecnológica
“Queremos nos diferenciar a partir do processo produtivo”, explica Barros, que também chama a atenção para os padrões de qualidade que vêm caracterizando os produtos da companhia no Brasil, com as marcas Meritor, Braseixos ou Rockwell.
Sem medo da Ásia
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“Vendemos pra todos os fabricantes de caminhões e ônibus, tanto aqui como em outros países da América do Sul” |
Barros entende que a presença mais intensa de competidores asiáticos mexe com o mercado automotivo mundial. No entanto, não encara esse avanço apenas como uma ameaça. Para ele, o processo de crescimento da China não deve se manter de forma permanente nos atuais patamares e haverá pressões de custos reduzindo as vantagens da produção chinesa no mercado global. “Chegará um momento em que a concorrência será menos desigual”.
O executivo assegura que o comércio com a Ásia não é tão fácil como se fala. Há dificuldades logísticas, por exemplo. “Às vezes, não encontramos componentes que estavam sendo oferecidos. Outras vezes recebemos a informação de que o produto foi embarcado, mas não temos mais notícia dele”. Em sua opinião, a Índia, que vem ganhando espaço no setor, também oferece algumas dificuldades no comércio. A Índia está próxima da Europa que se torna uma prioridade para o primeiro. Num momento como o atual onde a demanda por componentes na Europa esta excedendo a sua capacidade produtiva o produto indiano fica escasso para a América do Sul.
O diretor questiona a necessidade da China modificar sua legislação para preservar o meio ambiente e estimular novas relações de trabalho. Se essas questões forem enfrentadas, vão se traduzir em aumentos de custos na produção. Barros afirma que o perigo chinês é mais imediato no aftermarket, onde muitas vezes os padrões de validação do produto nem sempre são tão expressivos como os adotados pelas montadoras.
Barros espera aproveitar as oportunidades de negócios que surgem ao lado das dificuldades. A matriz da ArvinMeritor já se estruturou para atuar no mercado asiático, abrindo caminho para a operação brasileira.
DNA da experiência
Sílvio Barros comenta a ênfase que a empresa direciona ao desenvolvimento de pessoas. A corporação está preparando uma nova geração de executivos para comandar o crescimento, tarefa que se estende também ao Brasil. Entre 2010 e 2012 deve se completar o chamado Processo Sucessivo na ArvinMeritor. Atendendo esse programa, um grupo de jovens brasileiros vai receber treinamento fora do País, fixando-se em diferentes partes do mundo.
Ao mesmo tempo que vê o futuro com otimismo, o executivo lembra que as atividades do grupo tiveram início há mais de 100 anos, quando a companhia se chamava Thinkem.
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| A evolução da Corporação, desde seu início em 1899. |
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A ArvinMeritor vai sentir a ameaça asiática, mas “também saborear as oportunidades de negócio” |
As primeiras atividades da companhia no Brasil, há 51 anos, começaram com a marca Braseixos, resultado da joint venture entre a Cobrasma e a Rockwell. Posteriormente a empresa passou a se chamar Rockwell e, em 2000, recebeu a denominação atual, originada pela fusão da Arvin Industries, Inc. com a Meritor Automotive, Inc.
Expansão do mercado
Cerca de 20% da produção brasileira de eixos da ArvinMeritor são destinados à exportação. De acordo com estimativas do diretor, em 2008 deve cair um pouco o ritmo das exportações em razão da queda nas encomendas do mercado americano, o que por outro lado permitirá uma evolução no atendimento ao crescimento dos mercados da região sul-americana.
“Estamos desenvolvendo o mercado de exportação para a Europa, onde o segmento de caminhões local está indo muito bem”, ressaltando porém que a prioridade é sempre o abastecimento interno.A matriz, que tem sede em Troy, Michigan, nos Estados Unidos, pretende redesenhar o seu mapa de vendas que hoje está assim configurado: 50% nos EUA, 35% na Europa e 15% no resto do mundo. A intenção é destinar 1/3 da produção para o mercado norte-americano, 1/3 para o europeu e 1/3 para os demais países.
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| Charles ‘Chip’ McClure |
Reforço na produção
Barros realça o enfoque que a ArvinMeritor vem dando à produção, principalmente a partir de 2003, quando Charles ‘Chip’ McClure (engenheiro mecânico com MBA pela Universidade de Michigan) tornou-se CEO e presidente da companhia.
Recentemente, McClure visitou o Brasil e reafirmou o compromisso da corporação em investir no processo produtivo. “Ficamos muito satisfeitos com a atenção que ele manifestou à gestão de nossa fábrica. Coerente com as diretrizes corporativas, McClure reafirmou que é preciso assegurar a rentabilidade dos negócios para reinvestir na produção. Essa é uma resposta importante para as expectativas de nossos clientes. Eles saberão que uma parte do nosso resultado será redirecionada ao aprimoramento da produção para atender as necessidades do mercado”, completa.