Caminhões off-road 6X4
invadem o mercado
O segmento de caminhões 6X4 fora-de-estrada vive momentos excepcionais e de expectativas reais de crescimento. Apesar de girar volumes anuais pequenos de quase 4 mil unidades em 2006, o retorno financeiro é atraente para a montadora.
Por Ricardo Conte, de
São Paulo, SP
Um modelo básico com Peso Bruto Total (PBT) de 26 toneladas (t.) custa, em média, R$ 225 mil, enquanto outro, mais potente e de maior capacidade de carga, é negociado pelo dobro ou triplo desse valor.
Conhecidos pelo nome de “traçado”, esse mercado cresce nos últimos anos (de 2.8 mil unidades em 2004 para quase 4 mil ano passado), puxados pelos setores da mineração, construção civil, extração de madeiras e, principalmente, sucroalcooleiro que registra grande expansão no cultivo da cana.
Enquanto o mercado de pesados registrou quedas ao longo dos últimos três anos, o segmento de 6X4 cresce constantemente. Em 2004, os off-roads representaram 10,5% desse mercado. Hoje, já participam com 17,4% das vendas de veículos pesados, onde incluem os extrapesados. Em igual período, passou de 3,4% para 5,4% a sua participação do mercado total de caminhões.
Tanto que regiões tradicionais no cultivo de grãos e soja, como Goiás, alto do Tocantins, sul do Mato Grosso, agora plantam a cana, incentivadas por mega investidores interessados nas alternativas energéticas, inclusive para exportação.
Vendas ao Varejo |
Ano |
6x4 |
Pesados |
Mercado Total |
2006 |
3.932
|
22.665 |
72.257 |
2005 |
3.927 |
24.309 |
79.386 |
2004 |
2.855 |
27.124 |
83.550 |
Além disso, já existem 89 projetos brasileiros de construção de usinas de açúcar e álcool para a fabricação de etanol e metanol, sendo 21 deles cadastrados no Estado de Minas Gerais, segundo o Sindicato de Açúcar e Álcool do Estado, representando investimentos de US$ 2,8 bilhões.
Obrigação legal
Somado a isso, o antigo decreto de lei 9503, que estabelecia normas e procedimentos para o transporte de carga, modificado em novembro do ano passado, com a resolução do Contran 210, obrigará que, a partir de 2010, veículos de composição bitrem, treminhão e rodotrem, hoje em geral caminhões 4X2 ou 6X2, sejam equipado com tração 6X4.
Os executivos acreditam que as vendas desses off-roads aumentarão muito acima do previsto (de 5% a 7%), podendo, em breve, ultrapassar 15% e até dobrar esse percentual em três anos.
Com a retomada do mercado de caminhões no geral, essa expectativa ficou, ainda mais evidente, uma vez que frotistas buscam mais esses veículos para se garantirem lá na frente.
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“Estamos falando para daqui a apenas dois anos e meio. Momento em que começam a pensar na renovação de sua frota.
São caminhões de aplicações severas que requerem renovações constantes. Quem já tiver um 6X4 terá poder de venda. O usado será valorizado”, comenta Vicente Goduto, diretor Comercial para Clientes Especiais da Iveco Latin America.
A fabricante italiana tem dois produtos nesse segmento e suas vendas vêm aumentando significativamente em 2006 e nos dois primeiros meses de 2007. Hoje o modelo Stralis é uma família de pesados 100% nacional e oferecido nas versões cavalo mecânico e traçado. Apenas a cabina é importada, mas montada e acabada em Sete Lagoas (MG).
“Já as qualidades do Eurotrakker são reconhecidas mundialmente e aqui no Brasil”, afirma Goduto, “e começa a chamar a atenção de vários segmentos por sua robustez e qualidade, mesmo sendo um produto importado”. Por enquanto, o veículo vem sendo produzido na Argentina, o que não lhe dá condições de financiamento através do Finame.
Goduto conta que, mesmo assim, a Iveco realizou um trabalho junto à indústria canavieira e acompanhado pela Associação dos Transportares de Carga, no agronegócio de Rondonópolis, demonstrando o potencial dos dois veículos em termos de custo/benefício. “Temos comprovado na prática que nossos veículos do segmento consomem menos combustível em comparação com a concorrência”. Afirma que “o motor cursor que equipa os dois veículos é comprovadamente um dos mais modernos do mundo. Aliando seu propulsor à tecnologia aplicada aos produtos, chegamos à qualidade, que tem sido a garantia da presença da marca no mercado”, diz o executivo.
Ele explica que, ultimamente, o mercado de caminhões tem tido altos e baixos de um semestre para outro, o que implica em reagir rapidamente. “Acreditamos que daqui em diante poderemos fornecer novas e rápidas respostas ao mercado, com a criação do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos no Brasil”. (veja matéria nesta edição).
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Para a Volkswagen Caminhões e Ônibus, o etanol e o biodiesel serão os principais alavancadores de vendas de off-roads 6X4, produtos que representam alto investimento em tecnologia.
“Estudos de mecanismos para melhorar a performance nas plantações (colher mais em menos tempo) e a automatização da colheita estão avançados. Não dá para prever o tamanho que esses mercados terão nos próximos anos”, disse Antonio Cammarosano Filho, gerente de Vendas Mercado Nacional.
A contrapartida será maior demanda – não só 6X4 – para escoar produtos. Sem identificar o grupo empresarial, o executivo cita que está em construção, na região de Araçatuba, um centro logístico para produção e distribuição, envolvendo treinamento de pessoal. “A cidade foi escolhida porque está a um raio próximo das plantações de cana”, informa. Segundo ele, o biodiesel demonstra grande potencial que incrementará esse segmento.
A VWC oferece as versões Worker mecânico 26.220 Euro 3 e os eletrônicos 26.260e, 31.260e e, agora, na versão Constellation, o recém-lançado 31.320e, com Peso Bruto Total (PBT) de 63 t. homologado e não técnico. Prevê vendas totais para a marca de 1.800 unidades para 2007.
Segundo Cammarosano, uma das tendências registradas é a transformação desses modelos em cavalos mecânicos, encurtando o chassi a um custo 10% maior. “É o caso do setor madeireiro que faz o caminhão rodar 60% do tempo na estrada e 40% fora de estrada em trajetos curtos”, disse.
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Os modelos da marca Mercedes-Benz, versão off-roads Axor 2826 e 2831, cabinas estendidas, são oferecidos na versão plataforma para atender as operações como bombas de concreto, colheita de cana e serviços de apoio no campo. Segundo Eustáquio Sirolli, gerente de Marketing Caminhões da DC, esses modelos garantem elevada capacidade máxima de tração (CMT) respectivamente de 45 e 63 toneladas.
Com igual cabina, os modelos Axor 4140 e 4144 foram desenvolvidos para usar, principalmente, implementos do tipo báscula, utilizada no transporte de areia, brita e material escavado, como, por exemplo, minérios. A báscula é levantada por sistema hidráulico até determinado ângulo, fazendo com que todo o material, pela força da gravidade, seja retirado da carroçaria. Esses caminhões foram concebidos para operações mais severas que exigem mais potência. Têm PBT técnico de 41 toneladas e CMT de 123 toneladas. Para velocidades operacionais elevadas, em condições topográficas travadas e com subidas, a opção mais indicada é o Axor 4144, a estrela maior de três pontas. “As condições de operação é que definirão qual modelo é mais apropriado”, afirma Sirolli.
O executivo destaca que a robustez e força de tração são primordiais. “A tecnologia embarcada é fundamental, resultando baixo consumo energético por tonelada transportada”, afirma.
Na linha fora-de-estrada a marca Mercedes-Benz também conta com os Axor 3340 e 3344, todos na versão (6X4) que atendem também aplicações severas, como, por exemplo, a cana-de-açúcar.
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Emerson Camargo |
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| Celso Mendonça |
Foi com o projeto “Cana”, implementado a partir de 2002, que a Scania do Brasil aumentou sua participação no agronegócio. “Passamos a focar mais esse mercado”, lembra Celso Mendonça, chefe de Engenharia de Vendas.
No caminho foi percebida a necessidade de veículos intermediários. É onde entra o caminhão 6X4 da linha P310 que roda em vários terrenos. “Faz todo tipo de suporte, trabalha como pipa, tanque, basculante para construção, comboio, Romeu e Julieta entre outras”.
Já para trabalhos mais severos, a montadora sueca dispõe de outras configurações e versões diferentes. Todas com motor eletrônico de 420 cv a 480 cv.
Dentre elas, podemos destacar o “Treminhão”, utilizado no transporte de cana. O veículo roda na lavoura para ser carregado e posteriormente acopla duas “julietas”.
Há também o “bate-volta”, um cavalo mecânico que troca o rodotrem carregado por um vazio e volta para a lavoura, onde repete a operação, fazendo com que o veículo rode por mais tempo. “Em São Paulo, 35% da população de Scania são rodotrem e o restante treminhão”, disse.
Apesar de nomes complicados, cada modelo tem suas especificidades. Ao todo são cinco fora-de-estradas 6X4: os chassis rígidos P310 R e P420 R e os cavalos mecânicos P420, R420, R480.
Segundo o diretor de Vendas de Veículos, Emerson Camargo, as vendas de caminhões pesados de janeiro a fevereiro cresceram 8%. “Temos perspectivas bem favoráveis para este ano”, disse.
“Atuamos de forma muito segmentada. No caso específico do setor do agrobusiness, que demandam veículos 6X4, o grão (soja e milho), a cana (voltada aos combustíveis renováveis) e o suco de laranja (para exportação) têm sido os responsáveis por uma demanda significativa”, afirma.
Camargo espera elevar as vendas dos modelos Scania 6X4 em, pelo menos, 15% em relação a 2006.
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Segundo Cammarosano, uma das tendências registradas é a transformação desses modelos em cavalos mecânicos, encurtando o chassi a um custo 10% maior. “É o caso do setor madeireiro que faz o caminhão rodar 60% do tempo na estrada e 40% fora de estrada em trajetos curtos”, disse.
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A Volvo do Brasil vê com bons olhos o crescimento de veículos vocacionais, caso dos 6X4, acreditando que incrementarão as vendas do mercado de caminhões pesados. Esse segmento representa já 12% das suas vendas totais, ante 7% há apenas dois anos.
Diz que a marca já estar preparada para esse boom, dispondo de configurações para toda obra através das suas linhas VM, FM e FH oferecidas em três opções de cabina: curta, leito com teto baixo e Globetrotter (diferença de 300 mm na altura).
A motorização eletrônica vai de 260 cv a 310 cv (MWM) para os VMs, que servem de apoio. E continua de 400 cv a 480 cv para os FMs e FHs; estes últimos se estendem até 520 cv, a maior potencia do mercado. Ambos os modelos têm versões trator e cavalo mecânico e cinco opções de configurações, sugeridas pelo fabricante, que envolvem mudanças de entre-eixos, pesos, trem de força, suspensão etc.
Segundo o gerente de Engenharia de Vendas, Álvaro Menoncin, cada vez mais a montadora sueca se coloca no papel do usuário, conversa com eles e, inclusive, com os seus parceiros. “Queremos sempre antecipar soluções de transporte que atendam necessidades futuras”, disse.
O segmento de mineração, que apresenta rápida expansão em busca de traçados, é exemplo. A Volvo já oferecia o caminhão 8x4, também dirigido ao setor da construção, e vem se somar às opções de 6x4, bastante utilizadas nas operações de minério e canteiros de obras.
“Dispomos hoje das maiores capacidades de carga: 2,5 t. acima da concorrência direta. Isso resulta melhor produtividade, por exemplo, na mineração, onde um caminhão roda em rotas muito curtas; já os nossos 6X4, oferecem até 1,5 t.a mais”, garante.
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A Ford do Brasil, por sua vez, projeta vender 1800 unidades, o que representa alta de 39% com relação ao volume de 2006, quando negociou 1.293 traçados 6X4.
A marca possui uma linha eletrônica formada pelos modelos C-2622e , C-2628e, C-2632e, C-2932e e C-5032e. Os três primeiros operam como basculantes ou betoneira de concreto, principalmente no setor da construção, sendo que os C-2628e, C-2632e, além dessas aplicações, podem ser aplicados no transporte de madeira e cana de açúcar.
Os últimos dois modelos têm quase as mesmas características. Porém, o C-2932e tem entre-eixos menor que o C-5032e e possui vocação mais para basculante no setor de mineração, enquanto seu irmão mais pesado o C-5032e também atua na extração de madeira e cana de açúcar.
Segundo o gerente de Engenharia de Vendas, Strauss Rossi, as perspectivas de exportação de álcool, bem como a elevação do cultivo da cana de açúcar, são excelentes. “A expansão de novas usinas, bem como as maiores distâncias com relação às áreas plantadas, demandará mais caminhões”, observa.
Diz o executivo que outro segmento que vê com bons olhos é o da extração de madeira, diante da demanda das indústrias de papel e celulose. “Para atender a demanda das usinas de beneficiamento, o frotista terá que otimizar o volume de carga transportada por viagem. Isso implica em veículos com maior capacidade de tração para puxar maior número de reboques tipo “romeu e julieta”, disse.
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