Ramos continua e comanda
Andap até 2010
Frederico Ramos, reeleito Presidente da Andap, prepara estratégias para aumentar a participação da entidade nas decisões do governo, fala de seus planos para o novo mandato e se revela um grande distribuidor de otimismo.
Por Edoardo Benevente, de
Osasco, SP
Português de Vilarelho da Raia, aldeia a 168 km da cidade do Porto, Ramos é um empresário bem sucedido. Chegou ao Brasil em 1962 com 18 anos. Foi vendedor de porta em porta pelo país e depois se tornou sócio dos irmãos. Hoje, são donos da Ginjo, uma das grandes distribuidoras de autopeças do Brasil, localizada em Osasco, São Paulo.
Nesta entrevista exclusiva, ele fala da Ginjo, de sua reeleição na Andap – Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeça e “das boas brigas com as montadoras”.
Jornauto - Como foi o mercado de autopeças em 2006?
Ramos – O mercado não atendeu às expectativas e cresceu apenas 5%. Foram vários fatores, um Carnaval no final do mês, a Copa e as Eleições em dois turnos. O Brasil teve paradas involuntárias, que não permitiram o crescimento esperado. Além disso, houve o revés no setor agrícola e a riqueza do Brasil depende do agrobusiness. Se há menos carga transportada, haverá menos caminhões rodando e peças trocadas. Para economizar, os frotistas chegaram ao cúmulo de usar as peças dos caminhões parados para manter os demais rodando.
Jornauto - O que esperar de 2007?
Ramos – Estamos otimistas. No PAC – Plano de Aceleração do Crescimento, o efeito de recursos é pequeno, mas o efeito psicológico parece positivo, porque o otimismo pode não ajudar, mas o pessimismo atrapalha. No entanto, é cedo para avaliações. A composição do novo ministério também está sendo acompanhada. Esperamos que tudo esteja bem porque precisamos trabalhar com regras claras. Outra promessa é a continuidade na redução da taxa de juros. A potencialidade do consumo no País é grande, mas faltam recursos.
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“As montadoras querem receber royalties pelas peças de design.
Vamos derrubar isso”. |
Jornauto - Qual a relação da Andap com o governo Lula?
Ramos – Tem sido pequena. Vou trabalhar no segundo mandato para aumentar a participação nas decisões governamentais, principalmente no Ministério dos Transportes.
Entre as principais reivindicações estão a redução da alíquota do ICM e a inclusão tributária em nível nacional. Acreditamos que assim, a sonegação diminuirá. Também torcemos pela Reforma Tributária. Pagar imposto é bom, desde que se consiga enxergar o retorno.
Jornauto - Como foi o primeiro triênio?
Ramos – Foi trabalhoso, mas gratificante. Estive presente de corpo e alma para atingir os objetivos. Os principais contratempos foram a Guerra Fiscal e boas brigas com as montadoras contra a cobrança de royalties das peças de design. As montadoras estão considerando que a criação do design é delas. Não concordamos. Nós respeitamos, sim, a marca. De fato, o desenho do veículo e algumas peças do ferramental são da montadora. Mas, as peças de design, não! Aí vai virar monopólio. Esse movimento começou ano passado, principalmente, com Fiat e Volkswagen. Temos exemplos da Europa e dos EUA, onde isso foi derrubado.
Outra briga com as montadoras foi contra as campanhas de ataque ao setor de reposição com frases como “peça pirata, peça bichada”. Quem perde é o consumidor, pois não terá opção de compra. O setor está se movimentando para derrubar isso.
Jornauto - Quais as novidades da Andap para o novo mandato?
Ramos – Tivemos poucas mudanças. Alguns membros saíram por questões particulares. Com os novos nomes, atingimos uma amplitude e temos diretores em praticamente todos os Estados. Estamos imbuídos de boa fé e vontade de trabalhar. A associação não resolve os problemas do setor, mas ajuda a solucioná-los e sem a Andap estaria muito pior. Não meço esforços para defender os associados. Estou trabalhando firme junto aos órgãos governamentais e parceiros para consolidar cada vez mais o setor.
Jornauto - As seguradoras estão se aproximando das montadoras. Qual a visão do senhor sobre isso?
Ramos – Evidentemente é o desejo das seguradoras. Aliás, isso sempre ocorreu, sempre estiveram próximas. As seguradoras de um modo geral compram peças no mercado independente e nas concessionárias. Acredito que não conseguirão comprar direto das montadoras por dois fatores: a logística e porque encontrariam resistência por parte das suas concessionárias. Se conseguissem, algo estaria errado. Algo que já acontece é o faturamento direto das montadoras a alguns frotistas e seguradoras, mas mediante pagamento de comissão a um concessionário. Direto à seguradora, não. Para mim isso não se concretizará.
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Estou otimista este ano. O aumento das frotas significa que irão comprar as peças de reposição”. |
Jornauto - Ângelo Coelho, presidente do Sindicato das Oficinas de Funilaria e Pintura de São Paulo, disse que os associados estão sofrendo grande pressão das seguradoras para comprarem peças usadas.
Ramos – Eu desconheço. Mas, não é uma boa conduta. Às vezes há peças nos desmanches que podem estar boas. No entanto, na hora de colocar no veículo, haverá mais mão-de-obra e o serviço sairá mais caro e demorado. As seguradoras podem estar sugerindo...
Jornauto - Ele afirma que estão sendo obrigados...
Ramos – Aí o fator é preço. Não sei se o usuário concorda com isso. O seguro, de um modo geral, indica o serviço em concessionárias. O proprietário pode até escolher uma oficina autorizada. Mas, o serviço deve ser feito à altura. Isso precisa ser respeitado.
Jornauto - A Ginjo vai completar 45 anos de história, em 2008. Qual o sabor?
Ramos – A empresa é motivo de orgulho. Só tivemos um momento de grande dificuldade que foi durante o governo Collor. Hoje, temos 210 funcionários e comercializamos 12 mil itens. Temos centros de distribuição em Brasília, Porto Alegre, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. Os últimos três representam 50% do nosso faturamento.
Jornauto - Boas expectativas para 2007?
Ramos – Estamos preparando a inauguração de mais uma unidade, em Curitiba. Nossa empresa se dedica ao atendimento do segmento de transporte que utilizam caminhões leves e médios. Nos Pesados praticamente não atuamos. Estou otimista e acredito em crescimento. O aumento das frotas, a cada ano, significa que logo estarão comprando no mercado de reposição. Mesmo com uma possível estagnação do mercado, outros veículos estarão chegando para a manutenção. O ruim é que a margem de lucro sobre o investimento é pequena, o que é lamentável, mas é uma questão de administração de cada empresa para achar o equilíbrio ideal.
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