30 Anos de Fiat no Brasil
A Fiat completou em julho 30 anos da inauguração de sua fábrica em Betim, MG. A empresa italiana já estava instalada desde 1960 na Argentina e, só em 1973, assinou um protocolo com o Governo de Minas Gerais para produzir automóveis.
Fernando Calmon, de São Paulo (SP)
Flaviane Paixão, de Belo Horizonte (MG)
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Em 9 de julho de 1976, o presidente da companhia e neto do fundador, Gianni Agnelli, veio ao Brasil para a grande festa que deu a Minas Gerais, sua primeira unidade produtora de veículos. Não foi um projeto fácil. Além das dificuldades técnicas e logísticas de se instalar fora do Estado de São Paulo, o grupo italiano sofreu forte oposição das empresas já instaladas. Afinal, em adição aos incentivos fiscais, a Fiat tinha o governo estadual como sócio, caso único na ainda pouco consolidada indústria automobilística brasileira que, também em 1976, comemorava 20 anos do início da produção.
As pressões foram crescentes e houve tentativa de boicotar a participação da Fiat no Salão do Automóvel, em São Paulo (SP). Mas seu primeiro modelo, o 147, estava lá, em novembro. Era o menor carro em dimensões externas produzido à época no Brasil, mas com seu motor dianteiro transversal conseguia um espaço interno invejável (80% do comprimento total reservado aos passageiros e bagagem). Tinha tração dianteira, pneus radiais de série e coluna de direção retrátil. O porta-malas surpreendia porque o estepe, também de forma inédita, era colocado no vão do motor. Seu propulsor de 1.050 cm³ de cilindrada era bem econômico e o desempenho estava próximo aos outros modelos pequenos.
Suas vendas não decolaram, como esperado pela Fiat. Mas, a empresa estava atenta às novidades. Já em 1978 lançou a primeira pickup derivada de automóvel, acabando por criar uma categoria única no mundo até hoje. Em 1979, apresentava o protótipo do primeiro carro a álcool, seguido pela perua Panorama no ano seguinte e o Fiorino furgão em 1982. Nessa época, para resistir à grande crise de vendas da indústria brasileira a Fiat se valeu de exportações maciças para sua matriz na Itália. Em 1983, chegava o Oggi, um sedã derivado do 147, que não alcançou sucesso.
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Elba |
Prêmio |
Em 1984 o Uno marcou a grande evolução porque se tratava de um modelo atual, lançado no Brasil com apenas um ano e meio de defasagem em relação à Europa, quando a indústria já não conseguia acompanhar as novidades do exterior. O sedã Prêmio (1985) e a perua Elba (1986) vieram em seguida, mas sem empolgar os compradores. Em 1990, porém, a história da Fiat começa a mudar com o lançamento do Uno Mille e, logo depois, com o advento do carro popular, em 1993, iniciou a escalada que lhe permitiu alcançar a liderança do mercado nacional pela primeira vez em 2001. Em 1991, apresentava o Tempra, seu primeiro automóvel médio.
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Uno 1984 |
Uno 2006 |
Foi o período mais importante da história da companhia quando lançou, inclusive, o primeiro automóvel nacional com motor turbo, o Uno, em 1994. O Palio surgiu em 1996, seguido um ano depois pela perua Weekend e o sedã Siena. A nacionalização do Tipo ocorreu também em 1996, mas o carro só resistiu a um ano no mercado. O pickup Strada em 1998 foi muito bem sucedido, mas o Marea neste mesmo ano e o Brava, no ano seguinte, nunca se firmaram. O Doblò em 2001 e o Stilo em 2002 marcaram a nova onda de modelos atualizados, completada pelo Idea no ano passado.
Além da liderança nos segmentos de automóveis e comerciais leves, a Fiat mantém a perua Palio Weekend, a pickup Strada e o multivan Doblò como os modelos mais vendidos de suas categorias no resultado dos nove primeiros meses deste ano.

Pensando no futuro
A Fiat Automóveis completou seus 30 anos pensando no futuro, propondo um novo olhar sobre o tempo e os seus desafios. Este foi o tema da campanha que a Fiat colocou no ar, em março deste ano. “Ao chegar aos 30 anos, a Fiat reforça a sua disposição de construir um futuro melhor, para o seu negócio e para a sociedade, a partir da confiança dos seus parceiros – clientes, concessionários, equipes, acionistas e a sociedade”, afirmou o presidente da montadora, Cledorvino Belini.
Investimentos
Com um total de R$ 15 bilhões de investimentos acumulados em seu parque industrial, a Fiat anunciou um novo aporte de verbas a ser aplicado no país: mais R$ 2,5 bilhões que serão investidos nos próximos três anos contemplando desenvolvimento de novas tecnologias e produtos. Já em 2006, serão R$ 900 milhões. Os recursos garantirão maior competitividade em modelos inovadores, “que os consumidores prefiram comprar e tenham orgulho de possuir”, disse Belini. Segundo ele, além de comemorar o sucesso desta trajetória de 30 no país, a montadora reafirma o compromisso com o Brasil e “a nossa confiança no futuro”, destacou.
Desde o início das operações no Brasil, cerca de 8,7 milhões de veículos já foram produzidos na fábrica de Betim, dos quais 30% destinados à exportação, fazendo da Fiat uma das maiores exportadoras do País. O Brasil é o mais importante mercado da montadora, depois da Itália, e respondeu em 2005 por 29% da operação mundial da marca. São cerca de 500 mil veículos produzidos por ano – dois carros por minuto – e mais de 16 mil pessoas trabalhando diariamente dentro do complexo sendo, aproximadamente, nove mil empregados diretos, com uma produção de cerca de 2.200 automóveis por dia.
A empresa informa que ampliará também as pesquisas, que concentrarão esforços no desenvolvimento de carros com maior desempenho e economia e com menores índices de emissão atmosférica. A busca de fontes alternativas de energia para o automóvel compõe ainda o escopo das pesquisas. Em junho desse ano, a montadora conseguiu inovar mais um vez ao apresentar o primeiro projeto de um veículo capaz de rodar com quatro combustíveis. O Siena 1.4 Tetrafuel pode funcionar com álcool hidratado; gasolina brasileira (que atualmente possui 20% de álcool); gasolina pura - como a existente em outros países da América Latina e Europa - e Gás Natural Veicular, ou GNV.
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Gama de produtos
Com uma das mais completas gamas de produtos oferecidas ao mercado, a Fiat continua investindo em novos segmentos, como fez com a minivan Idea, em 2005, eleita o “Carro do Ano 2006” pela imprensa especializada; o Doblò, que inaugurou o segmento das multivans, em 2001; o Stilo, em 2002, e com a nova família Palio, lançada entre o final de 2003 e o início de 2004, que fortalece a oferta de opções da marca na faixa dos compactos e traz muitos conteúdos inovadores, só disponíveis em segmentos superiores. Outra inovação foi o Ducato, primeira van fabricada no Brasil, a partir de 2000.
Da linha de produção em Betim saem o Mille Fire, Palio, Palio Weekend, Palio Adventure, Siena, pick-up Strada, pick-up Strada Adventure, Idea, Stilo, Marea, Marea Weekend, Doblò, Doblò Adventure e Fiorino furgão. Em Sete Lagoas, na fábrica Iveco Fiat, o Ducato e Ducato furgão.
Parcerias
A Fiat Automóveis apostou na formação de parcerias fortes com a rede de fornecedores e concessionários. A conseqüência deste alinhamento com os parceiros foi a consolidação como o principal pólo da indústria automotiva fora do tradicional ABC paulista e uma das principais marcas do mercado. Na chegada da montadora ao Brasil, Minas não tinha mão-de-obra especializada para a indústria automobilística. Muitos dos primeiros operários eram trabalhadores rurais e receberam treinamento específico e intensivo para entrar na atividade profissional.
A fábrica começou a produção de um único modelo – o Fiat 147 - com 323 fornecedores de peças de componentes, dos quais 12 estabelecidos em Minas Gerais. A partir do fim da década de 80, a montadora iniciou uma forte política de parceria, atraindo para o Estado dezenas de novos fornecedores, transformando o território mineiro no segundo maior pólo automobilístico do país, o que possibilitou a revolução na logística industrial brasileira com a implantação do sistema just-in-time.
A entrada da gama Palio, em abril de 1996, o primeiro carro mundial que foi lançado no Brasil antes do mercado global, serviu como uma certificação da maioridade da indústria mineira de autopeças. Em Minas estão mais de 70% das compras feitas pela Fiat, que totalizam cerca de R$ 5 bilhões anuais. Atualmente, são mais de 100 plantas produtivas de fornecedores instaladas no Estado, de um total de 280 fornecedores.
