Flavio PadovanFord amplia a linha Cargo
A Ford do Brasil ampliou sua linha de caminhões Cargo com três modelos colocados no mercado em julho: o C-2831 e o C-5031, ambos 6x4 e o cavalo-mecânico MaxTon C-4331S com mais capacidade para carga do que a versão anterior

Ricardo Conte, de São Paulo, SP

“É só o começo. Temos muitas novidades para o segundo semestre”, adianta Flavio Padovan, diretor de Operações da Unidade Caminhões. O executivo não revela o que vem pela frente, mas sabe-se que a marca desenvolve uma série de novas opções de motores eletrônicos. A antecipação dos novos caminhões 6x4, conhecidos por “traçados”, foi motivada pelo crescimento desse segmento específico neste início de ano. O mercado automobilístico brasileiro apresenta um aumento do consumo de álcool (combustível) pelos carros bicombustíveis chamados flex. Conseqüentemente, o setor sucro-alcooleiro vem aplicando, cada vez mais, o uso de traçados na colheita de cana. Aliado a isso, informa a Ford, os setores de mineração e celulose têm mantido volumes crescentes desse tipo de veículo.

Ford C-5031

Adequação técnica

As vendas da montadora norte-americana neste mercado de caminhões avançaram 28,5% de janeiro a maio deste ano. Os novos modelos Cargo 6x4 se juntam aos já conhecidos C-2622, C-2626 e C-2631. “O Cargo 2626 é nosso principal produto. Suas vendas cresceram 75%. Não vendemos mais por falta de disponibilidade do produto. Os novos modelos atenderão essa demanda com a vantagem de apresentarem uma série de inovações técnicas”, complementa Padovan.

Além dos quesitos custo e benefício reconhecidos pelos clientes Ford, o executivo diz que o C-2831 (mais voltado para a construção civil e mineração) e o C-5031 (mais indicado para os mercados canavieiro e madeireiro) tiveram sua capacidade máxima de tração (CMT) elevada para 50 toneladas, e seu peso bruto total (PBT) técnico aumentado para 27,6 toneladas. Além disso, receberam aprimoramentos mecânicos, como novo eixo traseiro, nova caixa de transmissão e novas árvores de transmissão e cruzetas.
Como resultados, garante a Ford, sua capacidade de subida com CMT aumentou de 38% para 43% e sua velocidade máxima subiu para 83 km/h em terrenos de difícil acesso. Esses ganhos refletem a melhor harmonia obtida no trem-de-força, em ambos os casos, usando o motor Cummins de 303 cv e a transmissão Eaton RT 8908LL de dez marchas (8+2), dotada de duas super-reduzidas “Low & Low”, que propiciam mais torque, em conjunto com a relação do eixo traseiro MT50-168 (4,89:1) da marca Meritor. Este, mais robusto e resistente é dotado de carcaça com espessura de 16 mm. e componentes internos reforçados.

MaxTon mais forte

Já o novo cavalo-mecânico C-4331S MaxTon (no topo) que ganha a letra S, também oferece maior capacidade de carga. No ano passado, sua versão anterior, obteve crescimento de quase 100% nas vendas. Conseqüência do bom desempenho do agronegócio, da construção civil e das exportações, áreas responsáveis pela alavancagem dos negócios de semi-reboques de dois ou três eixos. “Nosso novo MaxTon apresenta melhorias sugeridas pelos próprios clientes. Apostamos em um novo impulso nas suas vendas”, acredita Padovan.
O MaxTon renovado tem PBT técnico de 16.800 kg e combinado de 43.600 kg. Segundo a Ford, sua principal vantagem é transportar, em algumas aplicações, é claro, o mesmo carregamento líquido que modelos das concorrentes fabricantes de extrapesados, de 45 toneladas, “com investimento menor e melhor resultado operacional”. A capacidade do eixo dianteiro do novo MaxTon passou para 6 toneladas e a capacidade técnica do eixo traseiro aumentou para 10.8 toneladas permitindo a esse modelo tracionar o peso máximo admissível pela Lei da Balança (43.575 kg), determinado para caminhões 4x2 com carreta de três eixos conjugados (8.5 t. por eixo que, na soma, alcançam 25.5 t.). “A soma dos pesos permitidos no cavalo, 16 toneladas e na carreta 25,5 toneladas, dá um total de 41.500 kg. Com a tolerância de 5%, esse valor vai para 43.575 kg. Como o caminhão tem um CMT de 43.600 kg, pode levar esse limite máximo permitido”, argumenta Strauss Rossi, gerente de Engenharia de Vendas de Caminhões. O veículo recebeu, ainda, aprimoramentos mecânicos, como a nova transmissão Eaton RTLO-14918-B, com 18 marchas não-sincronizadas à frente e quatro marchas não-sincronizadas a ré. Essas cinco marchas adicionais à frente, em relação à transmissão anterior de 13 marchas, são engatadas por uma tecla denominada Split, que nessa nova transmissão também é disponível na caixa baixa. “Por conta disso, adiciona cinco novas marchas à frente sem acrescentar movimentos de alavanca. Todas as 18 marchas são engatadas com apenas nove posições de alavanca”, afirma.

Veja as fichas técnicas dos modelos

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