Crossover
do Brasil para o mundo
O smart formore,
identificado oficialmente em letras minúsculas, que a DaimlerChrysler
fabricará no Brasil no início de 2006, faz parte de uma estratégia
com a finalidade de conquistar espaço no principal mercado mundial: 50%
do volume será vendido lá.
Fernando Calmon
A produção do novo modelo na unidade do grupo em Juiz de Fora, MG, deve ser analisada por dois ângulos. Primeiro, visa aproveitar a grande capacidade ociosa da fábrica mineira, que pode produzir até 60 mil unidades por ano, mas atualmente não supera os 7 mil veículos/ano. O segundo refere-se à futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que apesar das negociações conturbadas deverá ser referendada nos próximos anos. A proposta do grupo alemão é uma nova aposta no segmento de carros compactos, além do Classe A. Depois do sucesso alcançado pelo smart no mercado europeu, o grupo resolveu ampliar a linha, sem deixar de lado o conceito original de comercializar modelos com apenas dois lugares. As versões de quatro lugares baseiam-se em conceitos desenvolvidos pela Mitsubishi, hoje controlada em parte pela DaimlerChrysler.
São duas as ofertas. Tanto o forfour, produzido exclusivamente na França e que chega ao mercado europeu no primeiro semestre, como o formore, só fabricado em Minas Gerais, derivam-se diretamente dos carros-conceito CZ 2 e CZ 3 apresentados em premiere mundial no Salão de Tóquio de 2001. O forfour, como define o próprio nome, dispõe de quatro lugares, concepção baseada no CZ 2, tração dianteira, motor 1,3 l e transmissão CVT. Já o formore se baseia no CZ 3 de motor 1.5 e tração integral. Utiliza diferencial central ativo, sistema que a marca japonesa provou com sucesso no Mitsubishi Lancer nas competições do mundial de Rali. O formore, traduzido literalmente como para mais, é considerado pelo grupo DaimlerChrysler um Smart Utility Vehicle, jogo de palavras com a sigla SUV (Sport Utility Vehicle). Na realidade está mais para crossover (mistura, neste caso, de hatch e utilitário) com tração dianteira e opção de tração nas quatro rodas. O desenho vanguardista dos conceitos CZ 2 e CZ 3 foi desenvolvido pelo departamento de estilo da marca japonesa, comandado pelo francês Oliver Boulay. Mas na versão final será menos audacioso.
A DaimlerChrysler ainda não confirmou se o motor do formore será o quatro-cilindros Tritec, fabricado no Paraná e atualmente fornecido para o Mini. A BMW, parceira da DC nesse empreendimento, deixará a sociedade em 2006 passando a equipar o Mini com motor da nova fábrica que montou em sociedade com a Peugeot, na França. A alternativa conveniente seria equipar o smart com motor nacional até por razões de custo. Mas, apesar de brasileiro, o Formore talvez não seja comercializado no Brasil, pelo menos numa primeira fase, segundo um dos fornecedores. O fato é que a marca não está estabelecida aqui, o que exigiria pesados investimentos em marketing e distribuição. Além disso, por suas próprias características, trata-se de um modelo destinado a um nicho de mercado específico, ainda pouco desenvolvido no País.
Consultada, a DC afirma que o carro será vendido também no mercado nacional, sem confirmar quando e nem preço e volume previstos.