Chevrolet
Montana: vem aí uma boa briga
A General Motors
não economizou para desenvolver um produto inteiramente novo no mercado
de pickups leves. A Montana (nome de um minivan da Pontiac) resultou de US$
125 milhões de investimento e é inteiramente nova, além
de bastante superior à picape Corsa, ainda em produção
apenas para cumprir contratos de exportação.
Fernando Calmon, de Foz do Iguaçu, PR
Poucos deixarão de se impressionar por sua imponência, garantida por nada menos de 2,71 m de distância entre-eixos, ou 23 cm a mais do que a antecessora. Esse recurso permitiu a criação de uma cabine semi-estendida de modo a melhorar o espaço interno e simultaneamente garantir a maior caçamba da categoria, tanto em volume (1.143 litros) como em capacidade de carga (735 kg ou 5% mais que os concorrentes). Tal configuração permite colocar alguma bagagem na cabine e transportar uma moto ou cargas longas sem rebater a tampa, situação passível de multa por encobrir parcialmente a placa traseira.

A sensação de opulência continua no desenho dos pára-lamas traseiros e das colunas centrais. As belas lanternas traseiras também são superdimensionadas, bem como os espelhos retrovisores. Há degraus embutidos nas laterais para apoio de pé, práticos para ajudar no manuseio da carga, porém discutíveis em termos estéticos pois nem pickups maiores dispõem desse recurso no Brasil. No total há dez ganchos de amarração, seis superiores e quatro inferiores. A tampa traseira é facilmente removível e para evitar o risco de furto se oferecerá fechadura como opcional.
Além da versão básica, que responderia por metade das vendas, há duas outras. A Sport utiliza rodas de alumínio, largos pneus 185/60-15, saias laterais, elementos da carroceria na mesma cor do veículo, vidro da janela traseira corrediço e escurecido, regulagem manual de altura do banco do motorista e capota marítima de desenho exclusivo, entre outros itens. A versão Off Road, prevista ter a preferência de 20% dos compradores, desataca estribos, protetor tubular estilizado de cabine e caçamba, kit de ferramentas, rodas de alumínio, pneus 175/70-14 e um condenável quebra-mato com faróis de longo alcance incorporados.

A GM preparou ainda dois conjuntos de opcionais (Mais e Super) e um total de 34 itens de personalização, incluindo redes de fixação de pequenos objetos na cabine, sistema de áudio com toca-MP3, levantadores elétricos de vidros com função um-toque. Ocorre uma incongruência. A direção assistida é opcional por se tratar de item caro para uso comercial, segundo a fábrica. Já o protetor interno de caçamba também não é de série e a carga poderia danificá-la. Melhoraram muito as suspensões. Só agora traz subchassi dianteiro (como no novo Corsa) e um robusto eixo de torção traseiro com molas helicoidais, no lugar do eixo rígido com mola em lâmina única por lado. A distância livre do solo, 20 cm, é a maior da categoria, estando o veículo descarregado, e de 15,3 cm sob carga total, nesse caso empatado com o melhor concorrente (Courier). O estepe localiza-se na parte de baixo da caçamba. Se recuperou espaço precioso para a cabine, piorou o acesso e ficou exposto ao furto. Exige o velho cadeado.

O Montana tornou-se o primeiro veículo a utilizar apenas motores flexíveis (álcool/gasolina), já que o Corsa antigo a gasolina convive com o novo Corsa flex e no Fox o motor a gasolina é opcional. A potência do 1.800 Família 1 varia de 109 cv/álcool a 105 cv/gasolina e o torque alcança 18,2 kgf.m e 17,3 kgf.m, respectivamente. Trata-se da unidade motriz de série mais potente da categoria (até que chegue na Strada) e apenas 2 cv inferior ao motor 2.000 de presença simbólica na Saveiro. Na avaliação em trechos urbanos e de estrada da região de Foz de Iguaçu, PR, o Montana surpreendeu pelo conforto de rodagem. Sem carga, nada de solavancos típicos de pickups. Supera bem quebra-molas e piso irregular graças à distância entre eixos e o competente acerto de suspensões. A posição de guiar é boa e dispõe de espaço suficiente para recuo dos bancos. Os freios estão bem dimensionados. A unidade avaliada tinha ar-condicionado e, claro, direção assistida, ambos opcionais. Barras de proteção entre a caçamba e a cabine atrapalham a visão pelo retrovisor interno, mas os espelhos laterais compensam.
A alavanca de câmbio possui a mesma ligeira imprecisão dos Corsas. Só a relação do diferencial foi encurtada para garantir melhor desempenho com o veículo carregado. Isso aumentou o nível de ruído do motor na cabine, sempre sujeita a ressonâncias do escapamento nesse tipo de veículo. Não incomoda no uso em estrada, mesmo a 120 km/h. A empresa informa aceleração de 0 a 100 km/h em 10,2 s (álcool) e 10,6 (gasolina), enquanto o consumo médio é de 9,1 km/l e 13,1 km/l, respectivamente.
Os preços começam em R$ 24.000,00 (Internet) ou 20% a mais do que o modelo anterior com motor 1.600. A versão Sport vai a R$ 28.000,00 e a Off Road não sai por menos de R$ 29.500,00. Pelo seu conjunto, a Montana pode desbancar em curto prazo o segundo lugar da Saveiro. E ameaçar a liderança da Strada, que ficou com visual envelhecido em relação ao novo Palio, mas mantém a vantagem da cabine estendida opcional. Uma briga com fortes emoções.