Gravataí:
Celta inicia nova era
Este
complexo é muito mais que uma nova fábrica. Trata-se de um grande
passo à frente no modo como um automóvel é produzido. Coloca
o Brasil e a GMB no centro das atenções mundiais. O discurso
de Jack Smith, Presidente do Conselho de Administração da GMC,
deu o tom de ufanismo na festa de inauguração do condomínio
industrial no município de Gravataí, Grande Porto Alegre.
Fernando Calmon, de Gravataí, RS
Apesar dos percalços e atrasos pelas dificuldades políticas com o atual governo petista gaúcho, a fábrica do Celta pode gerar até 41.000 empregos diretos e indiretos. Resulta de um investimento de US$ 554 milhões, incluídos os incentivos fiscais e o desembolso dos 16 fornecedores localizados ao redor da fábrica e mais um em Porto Alegre, para produzir 120.000 unidades anuais em dois turnos de trabalho. A área total do terreno é de quase 4 milhões de m2. O objetivo é tornar-se a fábrica mais produtiva do Brasil, algo em torno de 100 automóveis-ano por empregado, quase o dobro em relação às melhores unidades industriais recém-construídas no País. Para tanto se utilizam 120 robôs, 113 deles na armação e soldagem da carroceria, onde a automatização atinge 90%, quase 40% superior ao índice da fábrica de São Caetano, SP.
Conhecido
desde sua origem, há quatro anos, como Blue Macaw (Arara Azul), o projeto
tornou-se um laboratório de aprendizado de técnicas de produção
aplicado pioneiramente no Brasil. Trata-se da evolução do que
a GMC aprendeu em sua joint venture com a Toyota na NUMMI, em Freemont, CA,
nos EUA, e também aplicou nas fábricas de Eisenach, Alemanha e
Rosário, Argentina. O foco está no sistema, aproximando o produto
do processo e ampliando o envolvimento dos fornecedores no co-design e na eliminação
de desperdícios. Estes recursos de manufatura permitem flexibilidade
em relação às flutuações de mercado, pois
o complexo foi projetado para funcionar em até três turnos. Os
estoques encaixam-se num intervalo de 90 minutos, contra meia semana em fábricas
convencionais.
A
GMB mantém a responsabilidade sobre todo o processo e responde pela integridade
do veículo, apesar da grande participação dos produtores
de autopeças e sistemistas. Em alguns casos, este novo processo resulta
em conjuntos montados a um preço menor do que o custo de material de
componentes, em um esquema tradicional de produção. Chegou-se
assim a uma redução de 60% no número de fornecedores e
de 50% no volume de compras de peças avulsas. A parceria levou ao compartilhamento
de vários serviços do condomínio e a uma grande economia
de área construída em relação às instalações
convencionais. A logística interna também foi muito aperfeiçoada
para não comprometer o sincronismo de intervalo de entrega e seqüência
coordenada.
Sobre
o Celta, em si, nada se revelou (box). No dia da inauguração
da fábrica, em 20 de julho, sabia-se apenas que a base mecânica
é a do Corsa, com motor de 1 litro/8v e ligeiramente mais curto em comprimento
total. No início haverá somente a versão de três
portas e com acabamento bem simples para baixar o preço final sugerido
ao consumidor. O estilo do carro foi todo desenvolvido no Centro Tecnológico
da GMB, em São Caetano, SP. Dos automóveis em produção,
apenas o Gol tem desenho brasileiro, excluindo-se derivações do
tipo pickup, station wagon ou sedã.
Os mais críticos, com certo exagero, identificaram uma frente de Astra, lateral de Corsa e traseira de Palio. Para reavivar a aparência do veículo, o departamento de Estilo da empresa preparou uma versão com apêndices esportivos, rodas de liga leve e até ponteira do escapamento cromada. Este show car foi exibido em primeiro plano, contrastando com o modelo que irá para as ruas, numa exposição que incluiu todos os componentes produzidos localmente. Embora a GMB não confirme, o Corsa de três portas, hoje só disponível na versão básica Wind, deve acabar mesmo substituído, mantendo-se os quatro-portas (sedã) e cinco-portas (hatch). Os planos prevêem que outros modelos também poderão ser montados em Gravataí, RS, provavelmente sobre plataforma Suzuki. O Celta terá lugar garantido no mercado externo, em especial, em toda a América Latina, do México à Argentina, com motorização de 1,4 ou 1,6 litro.
Quem
produz em Gravataí
Além da GMB, fazem parte do complexo as empresas:
Arteb (sistemas de iluminação);
Arvin (sistemas de exaustão);
Bosal-Gerobrás (kits de ferramentas)
Delphi Chassis Systems (suspensão dianteira, traseira e eixo traseiro);
Fanaupe (elementos de fixação);
Goodyear (rodas e pneus);
Inylbra (carpetes e isoladores);
Lear (bancos, forro de teto e acabamento de porta);
Pelzer Systems (injetados plásticos);
Polyprom (pequenos estampados);
Sogefi (filtro de ar);
Santa Marina (vidros);
Soplast-Plásticos Soprados (tanque de combustível);
TI Brasil-Bundy (linhas de freio e combustível);
Valeo Térmico (sistemas de arrefecimento);
VDO (painel de instrumentos);
Zamprogna (blanks chapas de aço já cortadas na medida
certa para a estampagem), localizada fora do condomínio.